quinta-feira, 21 de maio de 2009

Google não quer comprar jornais. Alívio?

O principal executivo do Google, Eric Schmidt, disse em Londres que a empresa não vai comprar veículos impressos não só porque os preços pedidos pelos jornais à venda são altos demais; também porque a maioria deles está endividada. Segundo Schmidt, o Google "evita cruzar a linha existente entre a tecnologia e a produção de conteúdo". Essas informações foram dadas pelo Financial Times.

A notícia, se confirmada, pode aprofundar ainda mais a crise que os impressos atravessam já que o Google, embora não queira os jornais, tem em mãos o principal e mais acessado mecanismo de busca de notícias da internet, o Google News. Tudo se passa como um intenso processo de transferência de lucros de um setor - que gera conteúdos jornalísticos e perde receitas publicitárias - para outro - que distribui notícias e amplia sua presença no mundo da propaganda comercial. A extensão desse conflito, que afeta todo o sistema internacional de produção noticiosa, escapa dos meros mecanismos de controle do destino da propriedade autoral disponível nos sites dos jornais impressos; diz respeito a um complexo de natureza cultural que deixa os veículos tradicionais numa situação financeira insustentável, a exemplo do que já ocorre com o The New York Times.

Os editores, de seu lado, protestam e alegam que se não fosse a natureza da sua (cara) produção o Google News sequer existiria. Os fatos, no entanto, são irreversíveis em vista dos novos hábitos de leitura que se expandem na mesma proporção da universalização do acesso à internet. O que pode estar em jogo, no caso dos jornais impressos, é tanto a sua própria sobrevivência como empresas capitalistas quanto o conceito do jornalismo que produzem.

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