sexta-feira, 24 de julho de 2009

Jornalismo versus Comunicação


Recebo, em lista, email do Prof. Edson Spenthof, presidente do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo. O conteúdo da mensagem pretende "tranquilizar" os destinatários para a possibilidade de que, com as novas diretrizes curriculares, as habilitações em jornalismo ganhem autonomia e se desvinculem organicamente dos cursos de Comunicação, tal como já aconteceu com Cinema. Muito saudável a iniciativa do Prof. Edson, mas os argumentos que ele usa me deixaram ainda mais intranquilo, especialmente os exemplos tomados da área das ciências biomédicas. Quer dizer, então, que dentistas não estudam Anatomia como os médicos porque os cursos de odontologia se desvecilharam dos cursos de medicina?

Mais grave ainda é a afirmação de que a criação dos cursos de Comunicação obedeceu a um projeto de dominação imperialista e conservador que envolveu a Unesco e o Ciespal, "no contexto da Guerra Fria e anos de chumbo no Brasil". A história é conhecida e resulta de um ensaio do Prof. Eduardo Meditsch, da Universidade Federal de Santa Catarina, para o qual, no entanto, faltam evidências e elementos empíricos que comprovem a hipótese. Como argumento de natureza acadêmica, posto da forma como o presidente do FNPJ o faz, desrespeita e ofende quem o lê.

Jornalismo é Comunicação e não há malabarismo teórico, filosófico ou epistemológico que consiga contornar isso.

No entanto, e particularmente, não tenho nada contra a autonomia do Jornalismo em relação à Comunicação, preservada a vinculação ontológica entre os processos que se intercambiam entre os dois. Mas acho que a formação específica teria muito a ganhar com a desvinculação. Contudo, as razões que justificam uma mudança dessa ordem exigem mais profundidade, muito mais do que o arrazoado do Prof. Edson. Pode ser uma impressão - e torço para que seja -, mas esse "resgate" do Jornalismo anda meio contaminado por um ressentimento anti-acadêmico que pode ter efeitos empobrecedores para a filosofia norteadora das diretrizes curriculares.

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