sexta-feira, 24 de julho de 2009

Precipitação dos cursos deixa medíocre o ensino de jornalismo


O fim da exigência do diploma decidido pelo STF e a ameaça de que tenham sua existência posta em dúvida pela qualidade do ensino que oferecem está levando alguns cursos de jornalismo a reformas curriculares precipitadas que podem agravar ainda mais a sua mediocridade. Evidentemente, há as exceções de sempre representadas pelas faculdades que têm projeto pedagógico definido e consistente e que procuram oferecer aos alunos formação universitária sólida. Mas, a julgar pela matéria publicada na Folha desta semana, uma boa parte dos cursos está promovendo mudanças meramente cosméticas, num afobamento que pode trazer como resultado um distanciamento ainda maior entre os desafios do jornalismo e a qualificação dos alunos para enfrentá-los.

Penso que esse corre-corre curricular é provocado por uma identificação equivocada do cerne da questão: não se trata de preparar o estudante de jornalismo para o mercado, obrigando-o a um praticismo para o qual as empresas estão muito melhor preparadas. Trata-se de dotá-lo de instrumentos que lhe permitam refletir sobre os impasses de natureza experimental e teórico-conceitual da profissão. Nesse sentido, a história, contada não sem um certo ar de satisfação pelo coordenador de um desses cursos, segundo a qual os alunos do 1o. ano vão trabalhar com blogs e com o twitter, dá bem uma idéia do caráter acanhado da concepção que alimenta parte das reformulações no ensino de jornalismo que ainda estão por vir. Melhor será aguardar a definição das novas diretrizes curriculares, na hipótese de que a comissão encarregada de elaborar a proposta que será enviada ao MEC não tenha caido na mesma tentação.

Em tempo: boa a iniciativa da Cásper Líbero em oferecer "a estudantes de graduação ou portadores de diploma de nível superior (de qualquer área do conhecimento)" o curso A arte de fazer jornalismo. A proposta, muito bem estruturada e sob responsabilidade de profissionais qualificados que atuam na imprensa e na universidade, é (até onde sei) a primeira investida de uma instituição na nova realidade criada com o fim da exigência do diploma. As reações de ira e de reprovação manifestadas nas listas de discussão da área não contribuem em nada para adensar o debate em torno das novas perspectivas do ensino de jornalismo.

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