sábado, 19 de setembro de 2009

Diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo


O Ministro da Educação recebeu ontem (18/09) o documento que propõe novas diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo. O estudo, elaborado por comissão de especialistas designada por Fernando Haddad, deve agora ser submetido à apreciação do CNE. Caso as diretrizes sejam aprovadas na sua concepção geral - ainda que sofram ajustes na tramitação da Câmara de Educação Superior do órgão - a proposta passa a valer como orientação para todo o país e deverá provocar mudanças significativas na orientação e na estrutura didático-pedagógica dos cursos.

A primeira e mais polêmica mudança será a transformação do Jornalismo em curso específico, não mais concebido como uma habilitação da Comunicação Social. Em comentário anterior feito neste blog (leia aqui), ponderei sobre a dupla dimensão que essa idéia poderia adquirir caso viesse a ser apresentada: de um lado, a possibilidade de que inspirasse uma aversão à reflexão teórica em torno de processos que explicam o campo ontológico do Jornalismo; de outro, a perspectiva de que, uma vez autônomos, os cursos pudessem trabalhar com maior ênfase na especificidade conceitual do campo profissional. O documento entregue ao MEC mostra que seus autores foram cuidadosos no tratamento dessa questão, não apenas porque acenam com o respeito à Área do Conhecimento em que o Jornalismo se insere, mas também em razão dos fundamentos com os quais justificam sua proposta.

Os fatos parecem dar razão à comissão de especialistas, especialmente porque as novas diretrizes emergem como um roteiro que procura resgatar a identidade da formação profissional, fortemente abalada pela extinção da obrigatoriedade do diploma determinada pelo STF. Se levarmos em conta a qualidade da sustentação teórica que os autores do documento apresentado a Fernando Haddad dão aos argumentos pela formação específica, penso que as novas diretrizes representam um avanço significativo na formação dos jornalistas, mas não só por isso: também pela coerência e consistência com que apresentam os eixos em tornos dos quais as estruturas dos cursos devem gravitar.

Evidentemente, agora que se tornou público e depois da expectativa com que os envolvidos no assunto aguardavam o estudo, o resultado final da comissão entra no território aberto da polêmica, mais do que foi permitido pelas audiências públicas e pelas discussões que sua gestação provocaram nas várias listas (leia aqui, por exemplo, o documento do Prof. Fábio Malini, da Universidade Federal do Espírito Santo, contrário às diretrizes sugeridas pela comissão).

Particularmente, estou convencido de que a proposta apresentada ao MEC caminha na mesma direção de um consenso que vai se criando depois da decisão do STF: é preciso fortalecer a qualidade e a identidade dos cursos como instrumento legitimado de formação dos jornalistas. A dúvida sobre a viabilidade dessa construção fica por conta da competência e da seriedade com que professores e escolas darão conta do desafio.

5 comentários:

Rogério Christofoletti disse...

Grande Faro, ótimo post.
Fiz um também lá no Monitorando. Convergimos, pelo jeito...
abs

andremazini disse...

Não há dúvida de que algo tem que ser feito depois da decisão do STF qto ao diploma. Aqui no MS, por ex, pelo que tenho conversado com professores existe a possibilidade de todos os cursos particulares de jornalismo fecharem. As IES privadas daqui não admitem que continue um curso se o numero de matriculados não chegar a 50. Vamos saber de fato as consequencias da queda do diploma no inicio do proximo ano letivo, tomara que não seja tarde demais para que os alunos participem das mudanças nas diretrizes curriculares

Sylvia disse...

Olá Faro....muito interessante o post. Pelos seus argumentos, acho que se a proposta for aceita a tendencia é que o prestigio e qualidade dos jornalistas caiam mais ainda. O conteúdo teorico que temos já insuficiente e não vejo como um problema só no jornalismo, mas em todos. É necessário uma avaliação das instituições de ensino primeiro, depois do curso. Porque caso avaliassem as instituição não teriamos tantos problemas em reformular as disciplinas, pois muitas faculdades já teriam fechado as portas. O estado das faculdades no Brasil passar por uma crise, com certeza, maior que a do jornalismo.

Anônimo disse...

Ula, examinei este espaço online e apreciei imenso,penso que tás a fazer bem!
Continua com o boa escrita que tens!
Fiquem bem

Anônimo disse...

Oi!, o meu nome é IsabelCarla estudo Psicologia e adorei muito da tua página! Muito linda muito bem!
Adequa-se plenamente em tudo aquilo que aqui vi.Hoje sempre há tanto que expressar nos blogues!Nada nada mais desafiante do que por a nossa escrita online!
Bye Bye :)