quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Estética e conceito no jornalismo cultural II

Volto ao tema desenvolvido na postagem anterior. Do jornalismo cultural espera-se naturalmente que cumpra sua função de prestador de serviços: é sob esse aspecto que o gênero se encontra com demandas de natureza mercadológica e sobre as quais trabalha com um universo carregado de infomações objetivas e funcionais. As publicações especializadas comprovam isso em todas as suas edições: textos que oferecem ao leitor uma espécie de roteiro em torno do qual ele (o leitor) se situa no panorama das atividades culturais. O gênero, no entanto, dada a sua complexidade sempre crescente, desenvolve-se em outras direções - e as pesquisas mais atuais em torno do tema já conseguiram identificar uma massa elaborações discursivas que se afasta desse primeiro estágio e caminha para um exercício de contextualização das matérias.

Por conta de colaboradores ou por conta de jornalistas especializados nos diversos segmentos da cultura, essa outra abordagem tem nas questões de natureza estético-conceitual um dos núcleos principais de sua elaboração. Sobre essas questões, no entanto, convém desde logo destacar que estão mais presas a um enfoque de perfil analítico, mais propensas ao estilo ensaístico. Invariavelmente, quando o projeto editorial do veículo contempla isso, o volume informativo das matérias cede lugar a um aggiornamento do leitor face ao lugar que o assunto (a obra) ocupa no cenário mais amplo das formulações expressivas, se mais ou menos próxima das propostas de vanguarda, se mais ou menos próxima de questões culturais mais amplas, se emerge como resposta formal para os impasses da arte no mundo contemporâneo. Nesse sentido, a densidade informativa do gênero cede lugar a um cruzamento de possibilidades para as quais jornalistas profissionais especializados ou autores, estes últimos quase sempre de origem acadêmica, oferecem suas interpretações. É em razão dessa constatação que as pesquisas desenvolvidas sobre o tema indicam que o jornalismo cultural é o gênero de maior presença autoral entre todos os outros.

Seria inapropriado nos limites deste post apresentar o elenco de exemplos que comprovam essas características, mas um rápido acompanhamento das edições dos veículos que são considerados referências na área, especialmente impressos, indica uma produção que tem nessa perspectiva estético-conceitual um de seus suportes. O outro suporte é o de natureza ético-política, como dissemos na postagem de 12 de outubro. Volto ao tema ainda uma vez para analisar essa questão.

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