quinta-feira, 25 de março de 2010

E se eles forem inocentes?

Não tenho usado o espaço das minhas postagens para colar textos que não são meus. Para isso, reservo neste blog uma coluna específica com matérias públicas que aproveito em minhas aulas. Vou abrir uma exceção: transcrevo abaixo o editorial do Diário de S. Paulo de hoje (25/03/10), o único veículo que pondera sobre o espetáculo de irracionalidade midiática e popular em que acabou se transformando o julgamento do casal Nardoni. Vale a pena refletir sobre isso:

Ontem, o advogado Roberto Podval, que faz a defesa do casal Nardoni, foi vaiado e agredido ao chegar ao Fórum Santana. É só mais um sinal do intenso clima emocional que tomou conta do julgamento do caso Isabella. E a ira coletiva não é boa conselheira da Justiça. O jornalismo tem potencializado esse efeito. E os meios de comunicação, quando apontam suas baterias contra determinado alvo, têm o poder de condenar antes do veredicto. O passado registra muitas injustiças cometidas sob histeria popular. Os casos da Escola Base e dos irmãos Naves são famosos, mas não são únicos. À luz da história, é preciso garantir o direito de dúvida, convém parar e perguntar, ainda que por cautela: e se os réus, afinal, forem inocentes?

Veja aqui a edição do jornal em PDF

Leia também três boas matérias postadas no FNDC sobre as relações entre o jornalismo e o julgamento do casal Nardoni:

* Advogados criticam espetacularização do juri

* Uma conveniente amnésia jornalística

* O julgamento do casal Nardoni na sociedade do espetáculo

3 comentários:

Matheus Nahkur disse...

A parcialidade da imprensa, tão conhecida por todo e qualquer jornalista e, ainda assim, acatada nas redações dos grandes veículos, mais uma vez está escancarada. Ótimo o artigo de Sylvia Moretzsohn. Um abraço, professor!

Sylvia Moretzsohn disse...

Faro, de fato o editorial é ponderado, mas depois de tudo o que ocorreu na cobertura desse caso (desde o início, há dois anos, e também agora), o que adianta esse editorial? A capa do jornal diz muito mais com a foto em que manifestantes pedem "Justiça". Que justiça pedem? A única possível: a condenação. Independentemente de argumentos. Quem acompanhou esse caso sabe que a perícia ficou prejudicada porque o apartamento não foi isolado imediatamente. Logo, tudo o que se diz sobre provas materiais pode ser contestado. E não há testemunhas - a não ser... a não ser, supostamente, o filho do casal, que seria a testemunha do tal "filminho mentiroso", mas sobre ela a imprensa, estranhamente, não demonstrou qualquer curiosidade...
Os jornalistas fizeram seu mea culpa no caso Escola Base e juraram jamais agir de forma semelhante, mas desde então são inúmeros os casos de flagrante irresponsabilidade jornalística, em tudo semelhante ao que ocorreu naquele episódio. E o mais escandaloso, desde então, sem qualquer dúvida, é este "caso Isabella". Parece que a gente não aprende mesmo.
Apesar de tudo, é importante insistir na reflexão, como você faz nesse post. Sugiro ainda a leitura do artigo do Luiz Francisco de Carvalho, hoje na Folha.
E agradeço ao Matheus pelo elogio!

Lidiane Aires disse...

Oi, Faro!
Vale lembrar a indicação de leitura de um dos professores (que não me lembro o nome)daqui do sindicato. É um artigo publicado no Estadão, no mesmo dia, do prof. Eugênio Bucci, da USP. Caso não tenha lido, aí vai o link: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100325/not_imp528954,0.php


Abraço!
Lidiane