domingo, 4 de abril de 2010

Desperdício

Para aqueles que ainda não se deram conta do verdadeiro desperdício em que se transformou a expansão descontrolada do ensino superior nas duas últimas décadas, sugiro a leitura da matéria de Naiana Oscar, publicada no Estadão de 3 de abril, sobre as dificuldades que muitas empresas estão tendo em encontrar mão de obra qualificada no mercado de trabalho.

A repórter chama de "apagão" a escassez de profissionais em condições de atender à demanda em diversos setores da economia, fato que tem provocado ou o surgimento de "universidades corporativas" ou a importação de técnicos de outros países para suprir suas necessidades. Em qualquer hipótese, o fato concreto é que a estrutura universitária brasileira - a pública e a privada - cresceu sobre a inexistência de um projeto regulador e indutor que a tornasse um dos suportes do desenvolvimento econômico. O resultado é o que a matéria do Estadão mostra: falta mão de obra especializada em todos os setores de ponta da atividade produtiva.

Enquanto isso, a expansão da oferta de vagas nas instituições de ensino privado só aumenta, obviamente na direção daquelas carreiras para cuja formação o nível de investimento é pequeno, a qualidade do ensino é sofrível e os lucros são altíssimos. No caso da educação universitária, o Brasil é um dos exemplos mais claros do preço que a sociedade paga pela ausência do Estado no setor e pela hegemonia da máxima segundo a qual o mercado é que regula o seu crescimento.

2 comentários:

Tiago Ferreira da Silva disse...

Entretanto, o mesmo jornal Estadão defendeu hoje em seu editorial a necessidade de investimentos públicos no ensino privado.

Concordo em partes, mas creio que deve haver uma fiscalização que exija que esses recursos sejam direcionados à melhoria do ensinamento e não para encher os bolsos de administradores e reitores.

De fato as universidades privadas são a que mais formam no país, mas também deve haver um alto investimento na educação pública, principalmente no quesito integração.

O que o país realmente precisa é de uma participação maior da pasta de educação na porcentagem do PIB. Pelo menos 5%, o que não se aplica na atualidade.

Juliano Schiavo disse...

Entrei na UFSCar e vejo o quanto o Estado ainda é moroso para determinadas situações, a começar pela contratação de professores e a própria falta de estrutura. Criam as vagas, mas não dão o suporte necessário. Existe uma "buRRocracia" que emperra o sistema (que já está fora do eixo). E quem perder com isso? Nem preciso comentar.