sábado, 31 de julho de 2010

Pesquisadoras falam sobre Jornalismo Cultural

O jornalismo cultural parece estar vivendo uma fase explosiva de informações que circulam na rede em blogs, sites etc, além da dinâmica própria dos cadernos e seções dos veículos impressos. Disso resulta a impressão de que a riqueza do gênero vem sendo otimizada e que a circulação de notícias sobre cultura atinge um público bastante amplo, fato que corresponde a uma certa idealização que sempre caracterizou as formulações teóricas sobre o caráter democrático e humanista que suas interpretações recebem.

No entanto, percebo uma mudança fundamental nas características do gênero: ao contrário do que ocorreu em outras conjunturas de hegemonia dos segundos cadernos e dos suplementos - quando o jornalismo cultural era uma instituição agregadora e nucleadora de correntes de opinião na área das Artes, da Filosofia e da Sociologia (para ficarmos restritos a três campos que sempre povoaram as páginas daqueles veículos), a volatilidade da informação digital pode ter reforçado - e eventualmente ampliado - uma propensão à prestação de serviços informativos em substituição da análise e da crítica. Isso é verdade? Quero dizer: a explosão das informações, como disse alguém, pode estar levando a uma "implosão de significados" da qual decorre uma inibição já na formulação do pensamento analítico dos leitores?

Estou submetendo essas questões à reflexão de algumas pesquisadoras que têm no jornalismo em geral - e no Jornalismo Cultural em particular - o foco de seus estudos. A intenção é reunir um conjunto de depoimentos que contribuam para jogar luz sobre as tendências do gênero e, com isso, permitam entendê-lo mais plenamente.

A primeira entrevista foi feita com a Professora Sylvia Moretzsohn, da Universidade Federal Fluminense (leia aqui). As demais serão publicadas nas próximas postagens. Os interessados em participar do debate podem enviar sua contribuição para forum@jafaro.net.

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2 comentários:

Ronie disse...

Saudações caro mestre!

Acredito que ao mesmo tempo que a rede contrubui para a disseminação de um número vertiginosamente maior de opiniões e correntes de pensamentos, de modo igualmente proporcional, torna rasa a análise de qualquer assunto tratado por meio de suas interfaces multimídia. A contradição vive em tudo!
Porém vejo como principal benefício dela a democratização da informação, indepentemente da grande falsa consciência a respeito do conhecimento que venha a provocar.

Saudades! Grande abraço!

Roni

Natássia disse...

Professor, é, também venho pensado muito nisso. No fortalecimento da rede, na quantidade de informações e a "prestação de serviços informativos" (consumo). Como tudo é consumo, quase nada se transforma em conhecimento válido e
gera uma falsa impressão de quê o indivíduo participa?

Parece-me tudo tão virtual. É a dialética do virtual, olha só, todo mundo procura referências e dialogar.

http://filosofiacienciaevida.uol.com.br/ESFI/Edicoes/44/artigo163672-1.asp

Pode contribuir em algo, talvez.