quarta-feira, 25 de maio de 2011

Ensino & Mercado


Realidade fantasiada pelo desempenho 
adormece o pensamento reflexivo
Foi em junho de 2009 - portanto, já sob os efeitos da penúltima crise econômica - que o suplemento EU& Fim de semana do Valor (edição 454) publicou uma das matérias mais interessantes sobre esse mito em que se constituiu aquilo que eu chamo de "pedagogia dos mercados", isto é, esse equívoco de natureza educacional que associa e submete os cursos universitários à racionalidade positivista das práticas profissionais. A matéria do Valor, a pretexto de analisar a crise no ensino de Economia, punha então em destaque o surgimento de um movimento "pluralista" que, em diversas instituições acadêmicas internacionais, reivindicava a retomada da discussão sobre o pensamento econômico convencional como forma de relativizar o peso que as ideias monetaristas - invariavelmente animadas com hegemonia do capitalismo financeiro - tinham sobre a formação dos estudantes.

A crise econômica que explodiu em 2008 certamente contribuiu para a iniciativa cujo argumento era tão simples quanto contundente: "a falta de realismo no ensino, (...) o tratamento da matemática 'como um fim em si mesmo' teria transformado a economia numa 'ciência autista', perdida em mundos imaginários", já que o predomínio das teorias neoclássicas deu à formação dos universitários da área um perfil "dogmático, vedando espaço para a crítica e o pensamento reflexivo". A face mais perversa desse processo, cujo início data do Consenso de Washington, foi o distanciamento da realidade empírica associado ao delírio da especulação financeira em todo o sistema. 

Não é preciso dizer que o embate surgido dessas propostas se traduziu na busca de alternativas pouco ortodoxas para corrigir os efeitos que a crise teve sobre as economias nacionais do mundo inteiro, em especial na Europa, que até agora não conseguiu se recuperar, embora todos os instrumentos utilizados para a correção dos problemas fartamente apontados pela mídia não tenham se afastado muito do receituário de sempre: restrição dos direitos sociais, enxugamento do estado etc etc etc... Nem mesmo os governos de extração socialista conseguiram escapar dessa lógica - e ainda agora, depois das eleições de maio na Espanha é possível observar o estado catatônico em que se encontra o capitalismo... (leia mais).
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