sábado, 19 de novembro de 2011

Escolher qualquer coisa...

Corporações sugam a soberania dos governos e
inutilizam o resultado das urnas
Fim de semana agitado na Espanha: os eleitores vão às urnas para a escolha do novo governo. A julgar pelas pesquisas disponíveis até este sábado (19 de novembro), tudo indica que os conservadores do PP vençam de lavada os socialistas. O resultado, no entanto, pouco altera a margem de soberania que um escrutínio popular sempre confere aos mais votados, já que o receituário das medidas que precisam ser adotadas para evitar que também a Espanha vá ainda mais fundo no poço econômico em que se encontra, está pré-estabelecido pelas cúpulas franco-germânicas e monetaristas. 

O jornal El País, por exemplo, diz que a eleição de amanhã é "para nada", e justifica o ceticismo com uma frase jocosa supostamente dita por Angela Merkel: "vejo que a 20 de novembro os espanhóis vão escolher qualquer coisa" (leia a íntegra da matéria aqui). Dessa forma, tudo se passa como se o espaço da política estivesse de tal forma esvaziado de energia reformadora que não é mais no seu interior que as medidas de um novo governo podem ser debatidas e deliberadas, mas no âmbito da tecnocracia comprometida com a racionalidade do sistema financeiro (saiba quais os riscos para a Espanha de uma maioria absoluta dos conservadores no parlamento espanhol - reportagem de O Globo). Será assim na Espanha e possivelmente na Grécia e na Itália. 

No final das contas, niilismo
que marcou manifestações dos jovens
espanhóis em 2011 pode resultar
em retrocesso 
A rede de corporações apresentada no gráfico acima ilustra o artigo de Ladislaw Dowbor publicado em Carta Maior (aqui). Ela traduz, mais do que qualquer outra planilha, a realidade do poder internacional. São essas corporações que formam o eleitorado de fato das nações no mundo contemporâneo. Nada indica que esse rodízio de governos europeus, do qual a Espanha ainda não é último dos exemplos, esteja em condições de alterar essa realidade.
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