terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Ruínas

Elites gregas abandonam o país, como aconteceu em 
Portugal e no México em outros momentos da História
A crise da Grécia - que o jornalismo econômico insiste em não explicar direito para a opinião pública - me faz lembrar os textos de Nelson Werneck Sodré sobre o colapso do império português no início do século XIX. Em determinado momento, se não estou enganado no livro Razões da Independência, Sodré afirmava que a presença da corte portuguesa no Brasil, em 1808, era o resultado de uma aristocracia transida (i.e. ameaçada,  atemorizada) e decadente, que não hesitou em abandonar seu país e sua soberania aos interesses britânicos para salvar seus privilégios.

Ora, um país que faz um empréstimo de 130 bilhões de euros, como a Grécia acaba de fazer,  deixou de existir como nação soberana e em tudo se assemelha aos piores exemplos de sujeição externa que a história registra, como foi o caso de Portugal na época da expansão napoleônica ou o México em 1998. Não se imagina como uma economia fragilizada como a grega possa dar conta do compromisso financeiro que esse valor representa, sem contar a violenta recessão e a crise social que o agravamento do país vai acabar provocando. Por conta disso, a Grécia é hoje uma terra de ninguém, exceto para os bancos internacionais e para o capital financeiro - em benefício de quem a ajuda europeia ao país foi concedida.

Posso estar enganado, mas com algumas poucas exceções, a cobertura que a imprensa hegemônica - do Brasil e do exterior - faz sobre a crise grega silencia sobre essa dimensão do problema. Todos sabem que um país acaba de deixar de existir, que uma sociedade inteira está sendo submetida a uma verdadeira tragédia social, tudo em benefício da regularização dos lucros dos investidores, mas a solução é editorializada no noticiário como se o grande capital, finalmente, acabasse de encontrar o terreno da segurança e da estabilidade. 

Recomendo a leitura de alguns textos da imprensa europeia sobre a Grécia, um pouco de antídoto para a desinformação de que somos vítimas:

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