domingo, 15 de abril de 2012

O ministro bem que podia ter ficado quieto...

O MIT como paradigma, isto sim...
Tenho duas explicações para a gafe - e o mal-estar - que o ministro Aloizio Mercadante provocou nos Estados Unidos ao afirmar que o Brasil teria uma filial do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) instalada aqui. A primeira me deixa mais tranquilo: Mercadante não sabe o que é o MIT e pode tê-lo confundido com uma dessas espeluncas internacionais que vão se apropriando do mercado aberto pelos cursos MBA, em especial aqueles voltados para especializações na área empresarial com modelos que fazem a alegria da gestão da nossa economia subalterna e dependente. A direção do MIT, no entanto, foi rápida no desmentido: o instituto não tem qualquer intenção de mudar sua política de atuar exclusivamente nos Estados Unidos. 

Se a explicação convence e eventualmente for verdadeira (é pura especulação minha), menos mal. Dá para administrar, pelo sentido anedótico do fato, mais essa excitação com modelos de ensino - e de outros setores - transplantados de realidades sociais e históricas diferentes da nossa que volta e meia nos associam e nos vinculam à submissão de toda ordem.

Mas a razão da gafe pode ser outra e grave, já que a fala do nosso ministro da Educação pode revelar uma lógica mais profunda: o deslumbramento com um centro de excelência paradigmático no ensino e na pesquisa, de tal forma que a simples ideia de que o MIT possa ter uma filial aqui faz com que o Mercadante veja nisso uma virtude e não um agravamento da profunda crise da universidade brasileira, entregue aos interesses privados e vítima de uma ótica que reduz seu desenvolvimento à expansão física de vagas.

Naturalmente, o ministro não precisa vir a público explicar o que quis dizer nem desfazer qualquer mal-entendido que tenha resultado da convicção com que anunciou a chegada do MIT, mas seria bom que o episódio servisse para que, em algum momento, o governo tenha um projeto consistente de desenvolvimento da Universidade brasileira. Por enquanto, entre Unibans, Anhangueras, Unips, o que temos é um setor à deriva que só dá sinais da sua potencialidade graças ao esforço - às vezes mais espontâneo que organizado - de suas comunidades... Melhor que nossas relações com o MIT obedeçam a políticas implementadas por modelos de cooperação científica e não da forma aleatória como essa que parece ter inspirado a fala de Mercadante...
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