sexta-feira, 4 de maio de 2012

Nem toda a verdade...

Pois é... os bancos, sempre os bancos
Começo o dia matutando sobre essa história da mudança nas regras do rendimento das cadernetas de poupança. Explico: o que me chama a atenção é o excesso de zelo nas explicações e a absoluta unanimidade dos tais "formadores de opinião", líderes políticos, dirigentes sindicais, jornalistas, banqueiros, donos de complexos de mídia etc, em torno das medidas anunciadas pelo governo. Então os poupadores (pequenos e médios, que são a faixa majoritária dos aplicadores nas cadernetas) vão perder, ao ano, perto de 10% daquilo que a fórmula antiga permitia - uma perda equivalente ao dobro da inflação deste ano, por exemplo - e ninguém diz nada?  Eu gostaria que algumas dessas fontes de análise e de informação "isenta" apontassem um único setor da sociedade brasileira para o qual houve uma perda desse tamanho...

Acho que essa história está mal contada ou nem toda a verdade está sendo dita. O cheiro que sinto é o de que, para não ferir os lucros dos bancos diante da imperiosa e inevitável necessidade de reduzir os juros ao consumidor - o que inevitavelmente aconteceria se houvesse a migração de recursos dos fundos de renda fixa para a poupança -, a lógica financeira do governo optou por sacrificar o poupador - que não tem voz na esfera pública, não tem lobby em lugar nenhum e ainda tem contra si o pensamento único dos economistas e da imprensa "especializada". 

Tomo, portanto, a liberdade de discordar das medidas anunciadas ontem. Com todos os afagos que a própria presidente fez no encaminhamento da solução que encontrou para o problema, mais uma vez o grande capital especulativo é que foi protegido e saiu ganhando.

"Não vamos fazer nenhuma loucura", disse a presidente nos momentos que antecederam a coletiva de Mantega. Segundo o Estadão, Dilma estava preocupada em evitar que a ideia de "confisco" de espalhasse pela opinião pública. Bobagem, a ideia de confisco não se espalhou nem vai se espalhar. Mas que houve confisco, isso houve...

______________________________

* Aliás, vendo a coisa toda em perspectiva, confisco dos grandes vem com a reforma trabalhista, a julgar pelos indícios surgidos neste editorial do Estadão de 05 de maio de 2012. Mas esse é um tema para outras postagens...
______________________________

Seja como for, linco abaixo textos que justificam a medida do governo, todos de Carta Maior:



Governo muda regras da poupança para atacar juros altos.

* Questões teóricas e emergentes da crise brasileira. Algumas das análises mais sérias sobre a economia brasileira e fragmentos do noticiário sobre o momento vivido pelo país no 1o. semestre de 2012.
______________________________

Nenhum comentário: