sexta-feira, 6 de julho de 2012

A jogada decisiva contra o Estado brasileiro

Nos últimos 12 meses, a evolução da indústria só foi positiva
em três momentos: julho e dezembro de 2011 e fevereiro de 2012

Interrompo minhas férias por 2 motivos. O Corinthians joga hoje a partida decisiva pela taça Libertadores da América, e nenhum torcedor sério fica descansando com o seu time diante de um desafio desses. Ao trabalho, portanto... Mas o segundo motivo é mais grave, ganhe ou perca o timão o jogo contra o Boca: o catastrofismo com o qual vem sendo noticiado o fraco desempenho da indústria brasileira. Pelo gráfico postado acima, o risco de uma depressão econômica em razão desse fato - associado ao crescimento da inadimplência e à percepção de que as variáveis econômicas podem escapar do controle do governo - é grande. 

Não há, no entanto, qualquer notícia de que um governo tenha feito mais para estimular o crescimento econômico e a sua retomada do que este. Não se trata de qualquer louvação à gestão econômica da administração Dilma, mas da mera observação dos fatos: isenções fiscais astronômicas, créditos do BNDES, desoneração da folha de pagamentos dos trabalhadores, redução de juros, intervenção no mercado de câmbio para favorecer as exportações etc. Nada disso, contudo, parece se traduzir em qualquer sinal de melhora. Estamos diante de um efeito inescapável da crise econômica global? 

Penso que não. Ainda hoje ouvi uma entrevista com Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, a famigerada Fiesp. Com um jeitão de quem sabe a base de representação que suas palavras têm, o empresário defendeu reformas "horizontais" que estruturem sob novas bases o custo da produção, uma espécie de revogação geral do Estado brasileiro que pode degenerar na desordem social, tal seria o efeito desorganizador que a implementação da proposta teria. Por exemplo, a flexibilização das leis trabalhistas, a reforma fiscal (que anularia os recursos para investimentos sociais), enfim, a liberação desses titãns que volta e meia assomam ao cenário midiático para consagrar, em definitivo, o Estado neoliberal no Brasil. Nem tudo Skaf disse, mas nem era preciso...

Na minha opinião, a direção tem que ser exatamente a oposta: mudança na estrutura da distribuição da renda através da ampliação das reformas sociais e da ampliação dos direitos. Bobagem o governo imaginar que vá conseguir que o empresariado brasileiro deixe seu conservadorismo capitalista de uma hora para outra e atenda aos apelos por mais investimentos. Não dá para superar a estagnação com paliativos que aumentam seus privilégios. Por isso, temo que a resposta do empresariado para a crise é a jogada decisiva contra o Estado brasileiro: é o resgate que está sendo exigido...
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* Em tempo: Contra a crise, Mantega evoca o espírito animal dos empresários, diz a manchete do Estadão. Naturalmente, o ministro refere-se à natureza impetuosa e irracional da avidez pelo lucro - o que fez do capitalismo um sistema predador. Meu receio é o de que os empresários levem isso ao pé da letra... Sobre o conceito keynesiano do "animal empreendor", vale a pena ler o que escreve Fernando Nogueira da Costa em seu blog Cidadania e Cultura.
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2 comentários:

Anônimo disse...

Quem mantem um país é o setor privado, não o estado. No Brasil não existe um mercado livre, onde se tem concorrência, o que temos é um oligopólio de uns 7 "empresários" que estão "fechados" com o governo. (se esses "empresários conservadores" são ruins o governo não é nenhuma madre Teresa)

Anônimo disse...

"J-E-N-I-A-L" esse texto.

Vamos onerar mais o setor privado , mais impostos , mais taxas e etc para assim sustentar as MARAVILHOSAS bolsas , que estão aí a quase uma década e até agora só serviram para deixar os miseráveis brasileiros ainda miseráveis e votarem no PT a cada quatro anos.Vamos , assim nós nos tornamos uma grande Cuba em pouco tempo.