quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Quem é o meu candidato preferido?


São Paulo em 2030: um complexo de problemas que só a
 absoluta racionalidade técnica e social pode disciplinar 
Tenho acompanhado essa numerália que começa a ocupar as matérias que falam sobre o desempenho dos candidatos à Prefeitura de São Paulo junto à opinião pública. E acho que, como a maioiria, fiquei surpreso e assustado com essa liderança instantânea do Celso Russomanno, na minha opinião um dos candidatos pior preparados para ocupar a "cadeira" de Prefeito, como o jargão jornalístico se acostumou a dizer. A menos que eu tenha perdido alguma coisa, é uma candidatura aventureira que só prospera junto ao eleitorado em razão do populismo midiático que o candidato desenvolveu como - o termo é inevitável - como... "paladino" dos direitos dispersos e desorganizados do anonimato social.

Russomanno não é o único fenômeno do tipo, mas é o que parece estar levando mais longe a possibilidade de que uma personalidade construída sobre um vazio de proposições, no terrenos programático, partidário, ideológico, venha a ocupar um cargo executivo de relevância nacional, como é a Prefeitura de São Paulo. Com os direitos da cidadania confundidos com os direitos do consumidor, e com o vozerio que a indignação transfere às personalidades da mídia - no campo econômico, no campo político, no campo da segurança etc - o candidato - que já admitiu ser "um artista", referindo-se ao sentido ilusionista que a atividade provoca (aqui) - pode mesmo transformar em bandeira popular qualquer bobagem que diga, a começar pela mixórdia que constrói em torno de um certo purismo político misturado com noções ordinárias de religiosidade, da prática do bem, da correção e do comedimento, da postura do bom-mocismo e coisas semelhantes, tudo isso correndo lado a lado com  denúncias crescentes sobre o apadrinhamento de que se valeu ao fazer lobby para interesses privados (aqui).  São elementos que representam uma avenida de despolitização que marca esta etapa da nova riqueza da sociedade brasileira.

Enquanto isso, a cidade geme... sob o controle do capital... para o qual, evidentemente, toda a ingenuidade do eleitorado é bem-vinda e toda a fragilidade dos projetos em discussão é saudável. No final das contas, aproveitando-se da irracionalidade que práticas políticas dessa natureza acabam implementando, os interesses dirigentes da cidade - esses mesmos que transformaram São Paulo possivelmente num dos núcleos urbanos mais caóticos do mundo - é que prevalecem. Sem projeto estratégico voltado para qualquer área crítica em que a cidade se debate, Russomanno acaba sendo o preferido de uma certa consciência envergonhada da política que ajudou a construir. Não chega a ser anedótico e surreal como Tiririca, mas na essência o resultado pode ser o mesmo. Torço para que a cidade não compre gato por lebre ou lobo em pele de cordeiro - para que os lugares comuns ponham os pingos nos iis... e antes que também eles percam seu poder de referência à realidade.

Em tempo:

"Russomanno representa o novo malufismo em São Paulo". Assista aqui à análise feita por cientistas políticos sobre o quadro político-eleitoral de São Paulo (via Estadão).
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Um comentário:

Marcio Hasegava disse...

Gostei do primeiro texto e adorei esse. Mas gostaria de ver que será o vencedor desta série.