sábado, 29 de setembro de 2012

Eu anexaria os planetas, se pudesse...

Ártico: nova fronteira da destruição planetária
O título deste post é referência ao capítulo do livro de Leo Huberman, História da Riqueza do HomemLembram? Um clássico adotado por professores de História dos cursinhos, dos últimos anos do colegial e reutilizado infinitamente nas várias etapas de formação intelectual de muitas centenas de estudantes. A obra datava dos anos 30 e inevitavelmente traduzia o simplismo de um manual marxista de interpretação da realidade com chaves de análise que acabaram nos acompanhando por muito tempo.

Eu anexaria os planetas, se pudesse estava entre os capítulos preferidos por todos pois nele Huberman,  (um dos editores da Monthly Review, juntamente com Paul Sweezy), com um estilo direto e muito bem arquitetado, levava o leitor ao climax da contemporaneidade com a descrição dos mecanismos do capitalismo monopolista e de sua expansão imperialista. Apesar de tudo o que pode ser dito em contrário aos esquemas do marxismo dos anos 30, tenho a impressão de que não havia (e não há) argumentos que desmintam a propensão violenta à qual o mundo está submetido até mesmo por nações que não se encaixam exatamente na definição de imperialistas... mas lá estão todas elas disputando - na atualidade, com mais charme e diplomacia - o butim em que o planeta inteiro se transformou.

A reflexão vem a propósito do artigo (leia aqui) publicado no New York Times (e traduzido pelo Estadão) dando conta de uma nova corrida internacional pela exploração das riquezas minerais do Ártico, envolvendo China, União Europeia e interesses menores que não tiram os olhos do carvão, do petróleo, do gás que, numa proporção de 20% das reservas mundiais, encontram-se nas "carecas" que o degêlo do polo vai revelando... É uma nova fronteira da atividade predatória que se sobrepõe às de natureza social que se espalham por toda parte.
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