quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Desprivatizar a cidade... antes de lotear os cargos.

Enquanto isso...
Estou aqui meio assustado com a notícia de que dentro do PT já está aberta a temporada de caça aos postos de poder na Prefeitura de São Paulo, caso se confirme - como é bem provável que aconteça - a vitória de Fernando Haddad na eleição de domingo. É uma consequência natural da chegada ao governo municipal de um outro grupo, mas o tamanho físico, financeiro, e político da variedade de instâncias que trocam de mão, a infinidade de cargos de confiança, a reformulação de políticas e projetos em andamento, tudo isso me ocorre como um risco de descontinuidade na gestão da cidade. Como a lógica não é a da racionalidade administrativa, mas a da racionalidade da vitória política ansiada há anos, penso que vamos ter um período relativamente longo de estiagem... e de pequenas vinganças...

Mas também não há como evitar que isso ocorra, exceto na hipótese de que o bom senso e as prioridades que foram sendo elencadas na fraca campanha eleitoral que rolou este ano prevaleçam. Dou um exemplo: hoje mesmo, a imprensa informa a respeito da permissão que a Prefeitura recebeu para rifar no mercado de ações concessões de edifícios que ultrapassam restrições de altura na Avenida Faria Lima (leia aqui), isto é, os interesses privados localizados na especulação imobiliária desenfreada de que São Paulo está sendo vítima, acabam norteando a ação do poder público, mesmo quando isso afeta o interesse coletivo, como é o caso desse episódio da Faria Lima.

Penso que a prioridade número um do novo prefeito não é exatamente manter a estrutura do Estado imobilizada, mas acelelar, em caráter de emergência, a revogação de todas as medidas da atual gestão que configuram esse controle do poder público pelo poder privado, desde que a mesma lógica de privatização do aparelho administrativo não for ela própria a diretriz para que a nova gestão implemente seu projeto de governo. Se a coisa toda começar pelo loteamento dos cargos - tenha a inspiração que tiver - temo pelo prosseguimento da sangria à qual São Paulo está sendo submetida. Nem é preciso ir muito longe: num raio de 2 ou 3 quilômetros em qualquer direção que se ande e a partir de onde se queira partir é possível perceber que estamos numa zona de guerra, não propriamente pelas "obras em execução" pelas empreiteiras (que não fazem mais do que agravar o caos geral) mas pelo estado de abandono, deterioração, sujeira etc. Acho que a tarefa para a mudança desse quadro é suprapartidária e necessariamente mobilizadora de qualquer força que entenda o desafio que está sendo proposto.

Se o eleito for o Haddad, que é o meu candidato, torço para que ele fique esperto com isso tudo.
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* Tenho colecionado as principais matérias que leio sobre o arruinamento de São Paulo em razão da hegemonia dos interesses do capital sobre os interesses sociais, a maior parte delas extraídas do jornal O Estado de S. Paulo, mas também de outras fontes. Sugiro uma breve consulta a esse material.
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