segunda-feira, 8 de outubro de 2012

O trabalho dos professores: novas realidades, novos discursos, novos sentidos


As escolas particulares estão preocupadas com os efeitos que a mudança no Artigo 6o. da CLT (que obriga os empregadores ao pagamento do trabalho extroardinário feito com tecnologias digitais) pode ter sobre seus lucros. Se a nova disposição legal pegar - e tudo indica que isso vai acontecer - acaba a desordem em que vivem os docentes de todos os níveis em decorrência das tarefas que passaram a ser exigidas, em especial aquelas que decorrem do uso da rede para o atendimento e o acompanhamento dos alunos.

Não há novidade nenhuma nessa preocupação das escolas; o que há de novo é a tentativa - intencional ou não - de construir um discurso midiático que naturalize as atividades extraordinárias dos professores de tal forma que elas (as atividades) escapem da abrangência da nova disposição legal (em vigor desde dezembro do ano passado). 

Melhor explicar isso de forma mais detalhada: o que está em processo é a montagem de um argumento segundo o qual toda a extensão do trabalho do professor que se realiza fora da sua atividade letiva é uma decorrência natural de sua especificidade. Quer dizer, se uma aula se desdobra no atendimento on-line, administração de suportes didático-pedagógicos digitais (textos, apostilas, alimentação de sites, chats ou fóruns de discussão etc), não há justificativa para que tudo isso seja considerado extraordinário, mas ordinário, isto é, tarefas que integram o novo cotidiano do que faz um professor.

Não é preciso ir muito longe para que se perceba a armadilha desse argumento pois que a extensão indefinida no tempo dos desdobramentos do ensino acabariam transformando o professor num tutor e não num profissional da Educação. Comprometido em tempo integral com as novas possibilidades que as tecnologias digitais apresentam, ao docente não restaria outra alternativa senão submeter-se à sua lógica (das tecnologias) e não às suas limitações físicas e psíquicas (do professor). Em perspectiva, a ideia de descanso como um período de reposição de energias intelectuais estaria abolida. Em seu lugar, o trabalho de duração infinita...

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