domingo, 24 de março de 2013

A bravata do ministro Mercadante e o ensino superior privado (*)

Aloizio Mercadante (à esquerda) e o presidente da OAB. Indignação não basta: é preciso corrigir com rigor todo o sistema do ensino superior privado (foto Estadão)
Alguns jornais de hoje (domingo, 24/03) trazem em seus cadernos principais uma das maiores peças publicitárias do ensino superior privado: um anúncio de 2 páginas da tal UNIESP - um desses milagres empresariais brasileiros: em apenas 14 anos, abocanhou o mercado da educação em 11 estados e já chega à marca de   125 mil alunos. Seus proprietários até se atribuem o feito da "maior revolução educacional do Brasil" e não têm o menor pudor em afirmar, pelas palavras do presidente do grupo, Fernando Costa, que seu compromisso "é com a educação de qualidade para os brasileiros que mais precisam".

Conversa fiada. Fosse o Brasil um país que fiscalizasse o que acontece com a expansão do ensino superior privado, sua natureza e os verdadeiros objetivos que o setor persegue, e esse tijolaço publicitário sequer teria sido publicado, tal é a construção enganosa dessa fraseologia empresarial que fica registrada na mídia sistematicamente. O caso da UNIESP, para que se fique nesse exemplo que nos serve de motivo, é típico e exemplar: no site do Sindicato dos Professores de São Paulo uma rápida consulta indica o envolvimento da empresa em inúmeras, diversas e graves irregularidades em suas práticas pedagógicas, trabalhistas, econômicas etc.

O retrato é o de uma instituição contaminada por tudo quanto vem acontecendo de errado no setor da universidade particular. E isso sob as vistas grossas do ineficiente poder regulador, fiscalizador e punitivo do Estado, ao lado da impotência dos professores, da sociedade etc. Vamos assistindo a isso em tese - porque em tese todos sabem que é assim que funciona - mas não somos capazes de ir muito além da constatação de que se trata de um mal silencioso e, ao que tudo indica, fatal para a vida brasileira. Privilegiado como só ele com isenções fiscais de toda ordem, com pouquíssimos compromissos com a pesquisa e com a qualificação de seus professores, gozando de uma autonomia que às vezes o deixa à margem da lei, com reserva de mercado garantida inclusive entre os estudantes sem poder de compra para pagar as mensalidades, o setor acabou virando um segmento parasitário justamente na área acadêmica, uma das mais importantes para o desenvolvimento nacional.

Até as maçãs saudáveis da cesta acabam sendo vítimas desse quadro... (continue a leitura aqui)

* Em parceria com Luiz Antonio Barbagli (presidente do SINPRO-SP). 
* Texto publicado na Revista Giz e na Revista da Fepesp.
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