terça-feira, 4 de junho de 2013

Enclave colonial...

Com uma dívida que chega a 81% da receita, a Odebrecht só sobrevive graças ao dinheiro público e aos inúmeros artifícios fiscais que o governo federal vergonhosamente usa para fortalecer o interesse privado do capital (clique na imagem para ampliar)
A notícia sobre a disposição do governo espanhol em enviar médicos ao Brasil para remendar a escassez desses profissionais por aqui dá bem a medida do estado de colonização virtual em que o país vive e que se estende por setores tão diversos e amplos da sociedade que o escândalo da dívida da Odebrecht até passa despercebido. Na Espanha, perto de 20 mil médicos estão desempregados, e o pedido de socorro feito pelo governo brasileiro em negociações que incluíram também Portugal é uma benção para um país transido pela crise econômica desde 2008. Mas essa ajuda que o Brasil oferece para economias à beira do colapso não é uma exceção: já salvamos a Ford, a GM, o Santander, operadoras de telefonia, redes de comércio varejista, ajudamos a Apple, o capital internacional disponível e em busca de nichos para especulação financeira etc etc etc... Na imprensa internacional, nossa imagem é a de um país que abdicou de sua soberania e se tornou um enclave colonial, como o México quando foi submetido às regras do acordo Nafta.  Falando nele, cadê o México?

No caso brasileiro, o resultado é o que se vê: uma economia tenuamente equilibrada sobre uma prática sistemática de chantagens empresariais que se arrasta com um fraquíssimo crescimento econômico, inflação represada e estratos sociais à beira de um ataque de nervos - como se pode ver no episódio dos boatos sobre a suspensão dos pagamentos do programa Bolsa Família

Fico me perguntando se essa minha zanga não demonstra má vontade e um certo humor enviesado. Afinal, observando em perspectiva e comparativamente com o que acontece na Europa, em boa parte da América Latina, em parte da Ásia, tudo sugere que estamos bem melhor situados - apesar de todos os índices negativos que objetivamente podem ser verificados em cada um dos itens apontados acima. Penso que não é bem assim. A estabilidade que sempre é louvada oficialmente não é mais que um simulacro que esconde a ausência de um projeto de desenvolvimento consistente e autônomo que seja mais que uma corrida contra o tempo para tapar as dificuldades estruturais que o país vai continuar vivendo. Enquanto isso, assistimos à mais brutal transferência da riqueza gerada pela sociedade para as mãos do capital privado - um processo de acumulação que acabou por anular os próprios avanços políticos e sociais observados nos últimos 15 anos. Que o diga a Odebrecht... Ou alguém imagina que manter esse trambolho falido em funcionamento sai de graça para a sociedade brasileira?
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