quarta-feira, 1 de maio de 2013

Exuberância financeira em meio às dificuldades com os salários...

As pautas dos jornalões no 1o. de maio é óbvia e só não as antecipa quem não quer: pancadaria geral nos direitos sociais - nos editoriais e fora deles; exposição dos discursos dissonantes das centrais sindicais; o custo Brasil representando pelo custo do trabalho e agora que a inflação da sinais de agressividade, tabelas comparativas entre taxas de aumento do custo da vida e as taxas de aumentos reais dos salários. Nas páginas da "grande" imprensa o Dia do Trabalhador (e não do trabalho, como se viciou dizer) deve ser comemorado com constrangimento e com disfarces pois nem parece que, mais do que o capital privado que só especula e pratica margens de lucro exorbitantes, é a força de trabalho que sustenta a economia do país... Minha sugestão é para que os seguidores do blog, por mera curiosidade, virem as páginas da Folha e do Estadão para comprovar minha interpretação. 

No meio disso tudo, quase às escondidas, a notícia que realmente dá o tom do momento econômico brasileiro: o Banco Itaú registrou um crescimento anual de 14,7% nos seus ativos financeiros e um lucro trimestral de R$ 3,7 bilhões (quase o dobro da inflação entre janeiro e março), numa clara demonstração de que o processo de acumulação de riqueza, apesar da explosão das margens de lucros das empresas graças às bondades fiscais do governo e à expansão do consumo, continua se deslocando do setor produtivo para o setor financeiro, e de forma acintosa - pois a exuberância dos bancos contrasta com as dificuldades que o Estado tem para manter os investimentos na área social. 

A equipe econômica do governo Dilma pode posar de bom-mocismo para o setor empresarial, brindar quase todos eles com desonerações que já provocam déficits perigosos nas contas públicas, adular o capital de todo jeito... mas todos os dias parece que fica evidente que esse não é o caminho da dinamização da atividade econômica.
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