quinta-feira, 9 de maio de 2013

O melhor capitalismo do mundo...

No caso brasileiro, até os intermediários foram dispensados
O que me chama a atenção diariamente para o noticiário econômico é o verdadeiro festival de bondades  anti-sociais que o governo promove todas as vezes que toma medidas para estimular a economia. A justificativa, claro, é sempre a mesma: oferecendo condições vantajosas para que os investimentos privados se ampliem, a expectativa é a da retomada do crescimento econômico e, com isso toda a sequência de resultados positivos do crescimento - desde a maior oferta de empregos, o crescimento do PIB, a redução da inflação, a estabilidade cambial, o aumento das exportações... o nirvana, ao final.

Esse me parece ser o senso comum porque não há, nem na "grande" mídia nem no setor oficial (não dá pra saber quem é que influencia quem), uma única voz discordante dessa lógica. Medalhões do pensamento econômico heterodoxo, que fizeram escola com argumentos imbatíveis sobre a presença do Estado na regulação social da atividade econômica - com o uso dos recursos públicos para a promoção do bem-estar - percebo hoje como os legitimadores teóricos e conceituais dessa farra que se faz com o dinheiro público em benefício dos interesses particulares (sobre isso, leia mais aqui).

Explico o paradoxo com dois ou três exemplos retirados do noticiário dos principais jornais (Estado, Valor e Folha). O destaque foi para as novas regras de concessão para a exploração das rodovias que agora asseguram aos concessionários uma elevação de 30% na taxa de retorno de seus investimentos (que era de 5,5% e passa a 7,2%). Como sempre, o ministro Mantega, na sua condição de um quase porta-voz dos interesses dos empresários, apressou-se em justificar: "todos os [empresários] declararam que com essa taxa de rendimento o investimento se torna bastante atrativo e que vão partipar dos leilões" (leia a matéria da Folha aqui). Bastante atrativo? E já não o era para o capital que goza da mais absoluta reserva de mercado em que se constitui a privatização de qualquer rodovia? O resultado é o de sempre, todas as vezes que o Estado protege o capital: a apropriação privada da riqueza gerada no setor e a socialização dos custos que isso acarreta. Ou alguém imagina que para permitir esse gigantesco reajuste de 30% na taxa de retorno das empresas as tarifas de toda a malha rodoviária privatizada do país vão ficar como estão? No caso das ferrovias, então, o nível de subserviência do Estado aos empresários beira o escândalo que significa a antecipação de pagamentos de receitas em qualquer condição (aqui).

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