quarta-feira, 12 de junho de 2013

Déficit nominal zero: o novo nome do velho monetarismo. Apertem os cintos!

Presidenta, fique esperta: desarticulação do Estado do Bem-Estar Social tem efeitos explosivos que o déficit nominal zero pode apressar. Que o digam os espanhóis, os portugueses, os gregos, os italianos, os franceses. 
Desde que explodiu a crise global de 2008 venho colecionando notícias e textos diversos sobre o seu desdobramento no Brasil em outros países, especialmente os europeus. Basicamente, como todo mundo entendeu logo de cara, as posições em torno das saídas possíveis para a recessão - que foi essencialmente provocada pelo descontrole do capital financeiro - foram duas: a que pregava a austeridade das despesas públicas e a que pregava uma espécie de neo-keynesianismo, isto é, uma ampliação da ação do Estado como instrumento de estímulo à retomada dos ritmos de crescimento. 

Essas duas posições sintetizam, desde o fim do socialismo marcado pelo dirigismo estatal, as alternativas hegemônicas que o capitalismo conseguiu construir para dar conta de suas crises cíclicas, mas parece estar nas mãos do neo-keynesianismo uma dose maior de sensibilidade política em relação aos efeitos da crise sobre a sociedade. Mantidas e incrementadas as políticas que procuram preservar direitos sociais e poder de compra dos salários, a possibilidade de que o consenso em torno dos governos social-democratas (que se inspiram historicamente no intervencionismo estatal) se efetive é maior, com o inevitável recuo e prejuízo dos especuladores, dos bancos, das aplicações voláteis, dos lucros improdutivos etc, embora esses mesmos grupos sejam aqueles que mais prometem retomar seus investimentos caso as políticas de austeridade sejam implementadas. 

Foi na Europa que essas duas correntes do pensamento econômico se tornaram mais nítidas e conflitantes. As medidas recomendadas pelos organismos financeiros internacionais, sempre pautadas pelo apelo ao rigor fiscal e ao equilíbrio orçamentário, logo foram adotadas - pois que traduziam a vocação neoliberal até mesmo de governos socialistas, e foi o que se viu: em Portugal, na Espanha, na Itália, na Grécia, na França, o debate se travou entre os que propugnavam o endurecimento das finanças públicas, com reformas restritivas de toda ordem, e os que contestavam a austeridade como solução. O resultado mais visível desse conflito foram as manifestações populares em todos aqueles países, governos em crise, desemprego, recessão (leia mais aqui).
______________________________

* A crítica mais contundente e irônica ao receituário dos "austerianos" penso que seja o artigo de Paul Krugman - Como a defesa da austeridade econômica se desfez - publicado originalmente no The New York Review of Books e traduzido pelo jornal Valor Econômico (aqui, em cópia pdf do texto em português). Krugman, como se sabe, é professor em Princenton e Prêmio Nobel de Economia.
______________________________

Nenhum comentário: