quinta-feira, 27 de junho de 2013

Tecnologia versus conservadorismo moral no facebook

Manipulação feita pelo facebook das imagens das militantes do Femen revela postura preconceituosa e arbitrária que lembra os critérios morais da ditadura brasileira nos anos 70 que sobrevivem ainda hoje. Mas também mostra conflito entre forma e conteúdo - emancipação dos sentidos e regulação de sua potencialização, numa possível analogia com os conceitos de Boaventura de Sousa Santos.
O facebook acaba de dar uma demonstração de um dos paradoxos que percorre todo o desenvolvimento das tecnologias digitais: a contradição entre as possibilidades de alargamento informacional disponíveis na rede (para ficar no caso brasileiro, mais de 130 milhões de usuários das páginas de partilhamento social no momento de maior repercussão dos protestos na semana passada) e a estreita bitola cultural - ou acanhamento intelectual - que convive com esse novo cenário tecnológico. A constatação vem da notícia publicada no jornal El País segundo a qual o face censurou imagens do movimento Femen - seção espanhola - manipulando a nitidez dos seios das militantes que aparecem nas fotos (acima). 

Pode parecer uma questão secundária, mas não é. Essa atitude dos administradores do facebook revela pelo menos duas motivações que merecem reflexão. Em primeiro lugar, o arbítrio posto em prática por alguém que delibera sobre o que pode ou não ser exposto a partir de um conceito pré-estabelecido ideologicamente. Esse é um componente autoritário que é usado como justificativa mesmo para posturas que advogam o liberalismo como pauta de conduta (continue a leitura)
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