segunda-feira, 22 de julho de 2013

Resgates...


Papa João XXIII (1958-1963): resgate dos princípios do humanismo cristão pode prosseguir com Francisco

Estive às voltas nos últimos dias com a leitura do livro Homens em tempos sombrios, uma coletânea de artigos escritos por Hannah Arendt (Cia das Letras, 1987, 249 pgs) em torno de biografias de personalidades marcantes do século XX. Uma delas é a de Ângelo Giuseppe Roncalli, o Papa João XXIII, que a autora, nas palavras ditas a ela por uma camareira romana, foi um "verdadeiro cristão", capaz de surpreender aqueles que pensaram que sua eleição, na ausência de um nome que assegurasse a manutenção intocada do estamento burocrático do Vaticano, fosse apenas um ato "provisório e transitório, sem maiores consequências". 

Não foi o que aconteceu: João XXIII não apenas abriu uma intensa discussão sobre os rumos do catolicismo ao convocar o Concílio Vaticano II - cujas teses em torno do comprometimento social da Igreja ainda hoje estão no centro das opções programáticas da instituição - como ele próprio personificou o despojamento que responderia por sua aproximação simbólica, e até ideológica, com vastos setores sociais de seu tempo. Para aqueles que gostam se entender as motivações da Teologia da Libertação, por exemplo, é indispensável a compreensão dessas duas variáveis: o Concílio e a personalidade de João XXIII. Sem elas, figuras como Dom Helder Câmara não teriam adquirido a dimensão política que tiveram nos anos 60 e 70.

O comentário vem a propósito da chegada ao Brasil do Papa Francisco para participar da Jornada Mundial da Juventude. O evento é todo ele carregado de significado tanto do ponto de vista das expectativas que o pontificado do novo Papa desperta desde sua insólita eleição, quanto do ponto de vista das condições políticas em que Francisco encontra o país que vai recebê-lo, já que nos dois casos as mensagens que serão dirigidas à esfera da gigantesca audiência de sua visita dificilmente deixarão de ser apropriadas pelo sentimento de esgotamento e de renovação que, simultaneamente, tomam conta da existência política contemporânea, no Brasil e fora dele (continue a leitura).
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