quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Vergonha...


Imagens da sociedade que estamos construindo

As manifestações de hostilidade contra os médicos cubanos ocorridas ontem em Fortaleza me parecem um sintoma muito grave da deficiente formação ética e socialmente comprometida que o Brasil está oferecendo aos seus profissionais de nível universitário. Uma cultura do arrivismo e do individualismo foi construída em todas as carreiras como resultado dessa cloaca em que se transformou nossa Universidade. 

Talvez fosse esse o foco (argh!) mais consequente do ressentimento dos médicos contra o programa Mais Médicos do Governo Federal - uma aposta que exigiria como contrapartida uma revolução nas condições de formação e de trabalho dos médicos brasileiros. Mas transformar o profissional estrangeiro - e o cubano, em especial - no bode expiatório dessa crise envergonha a categoria e o país. Mais que isso: revela um preconceito odioso que mal consegue esconder seu viés conservador e reacionário, eventualmente carregado de discriminação social e racial.

Penso que a melhor coisa que poderia acontecer como resultado disso é uma introspeção dessa turma que insiste em dotar o Brasil de um paradigma sócio-econômico e cultural grosseiro e avesso à solidariedade e à justiça social: governantes, bancos, empresas, Laureates e Krotons, Anhangueras e FMUs, igrejas, mídia... Ouço as vaias em Fortaleza e o ruído se confunde com as declarações oficiais  e oficiosas sobre nossa realidade: no fundo, umas e outras compõem um mesmo discurso...

Leia também: 

* Só vejo vantagens (Ricardo Noblat, O Globo); 
* Mídia não explica, demoniza (Alberto Dines, Observatório da Imprensa); 
* A constrangedora vergonha alheia (Luciano Martins, OI)
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