domingo, 20 de outubro de 2013

Nas mãos das concessionárias...

O cidadão fica à espreita pra ver se escapa das empresas, mas quando menos espera tem alguma concessionária nas suas costas
O governo federal acaba de dar mais uma demonstração de subserviência aos interesses do empresariado: ao rever a projeção de crescimento econômico feita nos editais de concessão rodoviária em várias regiões do país provocou uma diminuição das expectativas do tráfego nas estradas que seriam privatizadas - como era tecnicamente esperado. Foi o que bastou para que as empresas interessadas no negócio exigissem autorização para cobrar pedágios mais elevados. A notícia saiu no Estadão de sábado e é um exemplo bem acabado da situação de sequestro em que vivem os interesses da sociedade: arcamos todos com as dificuldades de um crescimento econômico baixo, exceto as empresas que participam da "concorrência" para a exploração das estradas: para essas, toda a proteção do capital que Brasília pode liberar; nada de riscos para o capitalismo brasileiro.

Não é o único caso, como todo mundo sabe. Semana retrasada, de forma absolutamente soberana, Fernando Haddad denunciou o "contrato" que a prefeitura de São Paulo mantém com a Controlar - uma maracutaia empresarial que tem nas mãos o monopólio da inspeção veicular na cidade. A Controlar, cuja origem jamais foi investigada, mas sobre a qual pesam todas as suspeitas possíveis - inclusive a de não possuir competência técnica para fazer o que faz -, foi à Justiça e conseguiu liminar que a mantém funcionando com  base no argumento surrealista dado pelo juiz Paulo Baccarat Filho: a inspeção é essencial para a saúde dos munícipes. A inusitada preocupação ambientalista do magistrado contraria o bom senso: a folha corrida da Controlar nas várias instâncias do poder judiciário diz que ela não tem idoneidade para lidar com qualquer coisa de natureza pública, muito menos com o ar que respiramos...

Nosso cotidiano virou uma espécie de esconde-esconde desse povo. É pensar em trocar quaisquer serviços de alguma extensão social - dos planos de saúde aos transportes, da telefonia às tvs por assinatura e às universidades privadas - para que se entenda o quintal em que o país se transformou: desoneração, isenções fiscais, crédito consignado, especulação imobiliária fortunas meteóricas e voláteis.. é o preço dessa modernização econômica defeituosa que faz a alegria do capital...
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