quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

O Brasil a R$ 1,99

Montadoras voltam a ser campeãs em envio de lucros ao exterior

O título é da matéria que a Folha de S. Paulo publicou ontem dando conta de que as montadoras de veículos que operam no Brasil enviaram em 2013 às suas matrizes no exterior a soma de US$ 3,3 bilhões, um valor 35% maior que o de 2012. O fato representa uma sangria tão desmedida da riqueza nacional e uma transferência de renda de tal ordem que nosso país passa a ocupar o desonroso 1o. lugar entre as nações que garantem para si um lugar estável e consolidado na periferia do sistema capitalista (onde se encontra desde o século 16), ao mesmo tempo em que socorre as finanças globais com o sacrifício da capacidade de poupança de sua própria sociedade. 

Não é à toa que o discurso de Dilma em Davos foi bem recebido pelos empresários do mundo todo: levando em conta benefícios fiscais, isenções, desonerações, privilégios de toda ordem com os quais o governo federal contempla o capital - ao mesmo tempo em que distribui mirrados recursos para projetos sociais - o Brasil está sendo oferecido de bandeja ao imperialismo e aos interesses privados. 

Só o sonambulismo dos gestores da nossa política econômica - que contamina quase todo o espectro político-partidário - é que assegura que essa sujeição se reproduza indefinidamente. 

* Leia também a postagem de 25 de novembro de 2013 sobre tema relacionado a este.

* E um breve e último comentário antes que a coisa esfrie: Nem bem havia terminado de conclamar os países ricos a investirem nas economias ditas emergentes, Dilma deve ter ficado assustada com a falta de sensibilidade do FED (o Banco Central dos EUA) em detonar as expectativas de mais investimentos externos no Brasil. Vale a pena conferir nas matérias da Folha esse paradoxo da economia global que nos deixa estruturalmente em crise: Fed corta estímulo e Fuja do risco, diz gigante de fundos de investimento.
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