sábado, 1 de fevereiro de 2014

A cidade destruída

Imagem: Arquitetura da liberdade
Eu gostaria muito que o Sr. Paulo Skaf viesse a público para condenar, com a mesma energia com que combateu o aumento do IPTU, o esquema das empresas que subtraíram da Prefeitura de São Paulo, por meio das propinas pagas a funcionários municipais, recursos preciosos para seu orçamento. Certamente, o presidente da FIESP não fará isso porque ficaria exposto à lógica contraditória dos interesses privados que dominam a cidade e gozam do respaldo da mídia tradicional: tudo pela menor carga fiscal e, ao mesmo tempo, tudo pela sangria do Estado - via corrupção ou qualquer outro meio disponível. 

Duas notícias dão conta desse paradoxo. A primeira fala sobre a investigação feita pelo Ministério Público envolvendo 84 empresas beneficiárias de fraude do IPTU. Tem de tudo um pouco na lista: lojistas e incorporadores de shopping centers, construtoras e até universidades. Pra quem não sabe, a explicação é simples: a fraude na metragem das construções sangrava o IPTU devido em benefício... dos interesses privados.

A segunda notícia aponta para aquele que talvez seja o ponto nevrálgico da especulação imobiliária e da anarquia que reina em São Paulo no âmbito da sua urbanística: a outorga onerosa. Aqui também a explicação é simples: o pagamento da contrapartida financeira pela inobservância dos limites de construção estabelecidos nos vários distritos da Capital paulista em benefício... dos interesses privados.

O prefeito Haddad se mexe com dificuldade no meio dessa armadilha que herdou da desastrada gestão Kassab, e é vítima da má-vontade (para dizer o mínimo) com que a mídia expõe suas ações, além das dificuldades que encontra para obter apoio federal. Um balanço equilibrado desse seu 1o. ano de gestão mostra que seu principal obstáculo não é a Cidade - descrita como ingovernável e refratária ao planejamento, mas os interesses empresariais e a privatização da racionalidade do Estado. Penso que o êxito do prefeito está na força com que conseguir expor e desfazer a existência e a associação entre essas duas coisas.

* Leia também: Um ano de Haddad em SP: o que a mídia esconde (Outras Palavras)
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