sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

O México e as ilusões das elites latinoamericanas

Há muito tempo o México deixou de ser uma nação soberana, mais exatamente desde que concordou em anexar sua economia às regras neoliberais do Nafta - um acordo de "integração" comercial liderado pelos Estados Unidos. De lá para cá, o sucateamento da indústria nacional se aprofundou, ampliou-se o narcotráfico e o êxodo de mexicanos para o sul dos EUA (alguns capítulos de Breaking Bad são antológicos a esse respeito) e hoje o país não passa de uma oficina de montagem de produtos dos Estados Unidos, uma verdadeira colônia de povoamento e de exploração comercial. 

No entanto, a economia é estável do ponto de vista financeiro - o que enche de orgulho os bancos e o parasitismo do capital especulativo internacional. Não é à toa que, ao contrário do que acontece com o Brasil, o México "atrai" investimentos sem que seu presidente - uma espécie de yuppie novaiorquino desterrado e fora de época - tenha que ir de pires na mão a Davos implorar por mais capital.

Pois bem: o bom comportamento do México mereceu da revista Time uma matéria elogiosa - que se derrama em vulgaridades para apontar Henrique Peña Neto como o messias que salvou o país da derrocada. Mentira. O que Peña Neto fez foi aprofundar o atraso de seu país para salvar os interesses da oligarquia que vê com receio a pauperização crescente da população e, contra as ameaças que isso representa, lançou mão de um pacto político conservador. As redes sociais e, em especial, o repórter Michael Cowley, se encarregaram de desfazer a farsa da matéria da Time num jogo de imagens que dá bem a medida das dificuldades que a mídia tem para emplacar a velha ideologia das elites do continente. Vale a pena ler como é que a Time tratou o assunto e acompanhar o estado de subserviência com que alguns cronistas encaram a tragédia mexicana.


A ridicularização do México e de seus dirigentes nas redes sociais é o retrato de um país que se transformou no quintal do capitalismo financeiro dos Estados Unidos e motivo de gozação no mundo inteiro.
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