domingo, 13 de abril de 2014

A cultura dos linchamentos na sociedade cordial

Martírio, de Gustave Dore
O jornal El País chama isso de justiça popular e em quatro excelentes matérias (uma delas com uma entrevista do sociólogo José de Souza Martins) afirma que se trata de uma "epidemia" que afeta não só o Brasil, mas também a Argentina. O tema é oportuno porque põe para fora - nessa espécie de terapia coletiva que estamos vivendo em torno dos 50 anos do golpe de 64 - os demônios da violência física como padrão básico de conduta da sociedade moderna - eventualmente sua raiz, ainda mais nesse formato arrivista que ela adquiriu entre nós nos últimos anos. Ontem mesmo, em matéria pinçada no Jornal Nacional, a repórter afirmava que a prioridade de gastos das famílias brasileiras de média e baixa renda são os eletrônicos e não a Educação ou a Saúde. Quem sabe não sejam a audiência difusa da Sherazade...

É o Brasil que estamos construindo... e em torno do qual lutam para descobrir sua verdadeira essência - um fundo arcaico da nossa formação tardia - comissões da verdade de todos os tipos. Vamos chegar lá de qualquer forma, mas no percurso temos que enfrentar o caldo de cultura de um conservadorismo da pior espécie: o da revanche e o da intolerância, que pega à direita e à esquerda, em pedestres ou na euforia fascista de um motorista endividado na direção de uma SUV. Pois não foi o empresário gaúcho Gerdau, um dos próceres da classe dominante, que num arroubo de idiotice veio a público recomendar que a população se rebele? 

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