quarta-feira, 9 de abril de 2014

Jorge Gerdau pede ao povo que se rebele...

A população tem um menu variado para escolher os alvos da rebelião sugerida por Gerdau: das operadoras dos planos de saúde aos bancos, são os interesses privados instalados como prática ou como cultura nos serviços públicos o que a oprime. 
O empresário Jorge Gerdau posou de lider de rolezinhos durante um tal de Fórum da Liberdade realizado em Porto Alegre. Segundo notícia do Estadão, na curtíssima palestra que proferiu aos deslumbrados jovens empresários liberais que participaram do evento, Gerdau sugeriu que a população se rebele contra a precariedade dos serviços públicos porque "não dá para aceitar" a maneira como o cidadão é atendido. 

Daqui do meu canto eu quero ajudar Gerdau a concluir seu pensamento. Em primeiro lugar, apoio o conselho do empresário gaúcho: a população deve se rebelar também contra todas as empresas privadas que se beneficiam de recursos públicos através de créditos subsidiados ou de isenções fiscais e desonerações de todo tipo. Acho que boa parte das dificuldades que o governo tem em gerir os serviços que presta à população, deve-se à brutal transferência de riqueza que sai das mãos da sociedade e cai no colo flácido de empresários como Gerdau. "Não dá para aceitar", repito em coro... e acrescento: vamos pra cima deles.

O segundo momento da rebelião gerdauniana deve ter como alvo todas as empresas que abocanharam o filé mignon dos serviços públicos na era das privatizações: serviços de telefonia, transportes (inclusive a precária e criminosa linha amarela do metrô de São Paulo e as sucateadas empresas de ônibus), universidades particulares, operadoras de planos de saúde, empreiteiras corruptas e corruptoras que detonam a paisagem urbana e o meio ambiente. "Não pra aceitar" o que essas porcarias fazem com o atendimento (e o interesse) público.

O terceiro impulso rebelde todo mundo já sabe pra onde vai: os bancos, uns parasitas campeões imbatíveis de reclamações. "Não dá pra aceitar" que 1/3 de seus lucros sejam provenientes dos "serviços" que dizem prestar à população e que eles continuem a cobrar juros criminosos de seus clientes, as maiores taxas do mundo. "Tem que ter rebelião, gente", disse Gerdau (segundo o Estadão), e eu concordo: vamos pra cima deles.

Eis aí um bom roteiro para que o discurso de Gerdau comece a ganhar forma nas ruas de todo o país. Se isso acontecer, afora o fato de que o empresário gaúcho tenha que se desculpar pelo deslize e indelicadeza que cometeu ao recomendar que a população afronte um governo ao qual ele próprio presta assessoria como presidente da Câmara de Políticas de Gestão, talvez os serviços públicos comecem a ser geridos com racionalidade social e não privada. Gerdau, no entanto, não deve saber muita coisa a respeito disso...
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