domingo, 20 de julho de 2014

Rubem Alves (1933-2014)

Dimensão cristã do pensamento de Rubem Alves reforçou a crítica severa à industrialização, mais do que ao capitalismo
Acho difícil distinguir, em meio às referências feitas na notícia sobre a morte de Rubem Alves, qual teria sido a principal contribuição que ele trouxe ao pensamento contemporâneo. Não sei se estamos diante de um filósofo, de um educador, de um cientista social; o que eu sei é que sua contribuição para o entendimento do mundo abre caminho para perspectivas visionárias de interpretação da realidade - e isso é o que me parece ser suficiente para marcar sua presença no terreno das ideias e das práticas sociais.

Particularmente, encontrei num de seus textos um valioso instrumento de análise da crise cultural da modernidade. Refiro-me ao ensaio Tecnologia e Humanização (veja aqui uma cópia anotada do trabalho) publicado na antiga revista Paz & Terra (n. 8, outubro de 1968) que integrou diversos cursos em que procurei discutir o impacto da racionalidade tecno-científica na caracterização da sociedade industrial - tema que sempre me pareceu essencial para a compreensão dos elementos constitutivos de uma ordem de valores que era apenas intuída no final dos anos 60 e que Alves, com uma consistente fundamentação teórica e conceitual, descreve e interpreta.

Fica esse registro pontual como reconhecimento da importância que Rubem Alves teve na   minha formação acadêmica.
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