domingo, 27 de julho de 2014

Santander: conspiração mal-agradecida


Emílio Botin, chefão mundial do Santander, e a presidente Dilma Rousseff 
(em foto de 2013 do El País)

O Banco desdisse o que disse, mas não convenceu. Indiscrição sobre o desempenho de Dilma  nas pesquisas revela mau-humor sórdido do setor financeiro, apesar dos lucros estratosféricos que vem obtendo desde o governo Lula. Governo assoprou e perdeu a chance de dizer à sociedade quem são esses caras.

O governo federal agiu como avestruz nesse episódio em que o Banco Santander foi pego em flagrante fazendo uma disfarçada campanha eleitoral junto a seus principais clientes (leia aqui a matéria de Fernando Rodrigues na Folha). Indiretamente, a análise sobre a eventual piora do quadro econômico provocada pela estabilidade de Dilma nas pesquisas é uma subliminar recomendação de voto. 

A direção do banco pediu desculpas, mas a emenda saiu pior que o soneto, já que a culpa pela "indiscrição" (como se o ocorrido fosse apenas isso) foi atribuída ao 2o. escalão, que acabou pagando o pato pelo ocorrido. Apesar disso, a própria mea culpa soa como mentirosa pois não desdiz o que disse, embora termine com a hipócrita "convicção" de que "a economia brasileira seguirá sua bem-sucedida trajetória de desenvolvimento". Pura conversa fiada...

Penso que a reação do governo foi tímida e a satisfação do PT com o pedido de desculpas mostra que Brasília prefere fingir que não está diante de uma colossal campanha de descrédito - e de difamação, em alguns casos - que vai da grande mídia aos empresários no superdimensionamento dos fatos que podem minar as bases eleitorais de Dilma: as manifestações de protesto, a perda da Copa, os problemas da Petrobrás e o fraco desempenho da economia.No caso do Santander, tudo indica que a inconfidência que o banco cometeu com uma análise de pura inspiração política - e não econômica - é reveladora da opinião eleitoral média do empresariado e do setor financeiro, duas áreas que se fartam dos lucros permitidos pelas medidas de proteção ao capital que vêm sendo postas em prática desde o governo Lula. 

Só para que se tenha uma ideia do tamanho dessa fartura na área dos bancos: segundo a revista Exame (maio deste ano), "Banco do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander alcançaram juntos resultado de cerca de R$ 11 bilhões no período (1o. trimestre)cifra 11,7% superior aos R$ 9,7 bilhões vistos um ano antes. No critério ajustado, foram cerca de R$ 12 bilhões, alta de 15%, na mesma base de comparação". 

Nada mal num país cujo crescimento do PIB quase não chega a 2%... Na Espanha, país de origem do Santander, uma taxa dessas seria vista como estelionato e conduziria seus beneficiários aos tribunais.

Dilma deveria vir a público expor o mau caráter do Santander e determinar um cerco apertado do Banco Central na fiscalização dessa e de outras instituições financeiras.

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