quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Lucrômetro

Itaú Unibanco lucra quase R$ 5 bi no 2º trimestre...

A notícia saiu no UOL Economia e traduz, como nenhuma outra, a maior exuberância financeira registrada no mundo inteiro. O número é ainda mais assustador quando comparado com a inflação do mesmo período, já que o lucro do Itaú é 37% maior do que 
em 2013, enquanto a inflação não chegou a 6%. O Bradesco - coitado - ficou em 2o. lugar: lucrou "só" 30% no segundo trimestre deste ano. E ainda tem banco conspirando contra o governo... 

A respeito desse fato, penso duas coisas. A primeira não tem graça nenhuma: com uma economia que sofre uma sangria financeira dessa ordem de grandeza, não é surpresa que o país tenha uma fraca capitalização, um sofrível nível de investimentos produtivos e sociais, fato que se traduz no medíocre crescimento do PIB e nas carências históricas do nosso IDH. A astronômica lucratividade dos bancos é, sob qualquer ângulo, uma anomalia parasitária e um paradoxo quando comparada com as dificuldades profundas do país.

A segunda coisa é mais anedótica: seria muito bom que a Associação Comercial de São Paulo e a FIESP - espaços de luta aberta contra a carga fiscal e os direitos sociais - inaugurassem na área bancária do centro velho de São Paulo um lucrômetro, bem ali ao lado do impostômetro. Uma simples comparação seria suficiente para justificar como o Estado precisa ser mantido como agente inibidor da concentração da renda que os bancos promovem sistematicamente. 

* Leia mais: Lucros generosos mostram que a  recessão no Brasil é  parcial (El País)
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