domingo, 31 de agosto de 2014

Não voto na Marina de jeito nenhum...

Tão fraca clareza de propostas pode provocar a ilusão de que o pouco que se vê é o suficiente para que se enxergue toda a complexidade das eleições
O Brasil, de tempos em tempos, embarca em aventuras políticas messiânicas. Foi assim com Jânio Quadros em 1960, com Collor em 1989 e está sendo assim agora com Marina Silva. Ponho em dúvida se essa adesão irrefletida a projetos salvacionistas se deve à "baixa consciência política" dos eleitores - como o senso comum costuma dizer. Acredito que se trata de uma promoção deliberada das elites que se agarram a fenômenos de penetração popular - quase sempre fora dos partidos e de seus programas - para fazer valer os seus interesses. São personalidades despolitizadoras do processo político e só por isso já saem na frente na disputa dos votos.

Aí é que está: a inconsistência das propostas desse pessoal tem a ver com a fragilidade de sua representação - que é sempre explosiva, momentânea e efêmera. Até que isso se evidencie, até que a falta de substância fique totalmente exposta, sofre toda a sociedade com o tiro no escuro que suas promessas acabam por demonstrar. 

Como candidata à presidência da República, Marina me parece estar sentada no colo de um ventríloco. Fala sobre coisas que demonstra não entender - mas repercute e legitima interesses que, no fundo, são os principais responsáveis pelas diversas crises que o país vive, especialmente os interesses privados que veem na sua candidatura a chance de ouro de ocupar o Estado mais que o governo. Por exemplo, a proposição de autonomia para o Banco Cental - uma ideia anti-republicana e anti-democrática que pode jogar a política econômica do país nas mãos dos bancos (aliás, é intrigante o apoio que ela recebe do setor). Outro exemplo: a obscuridade de sua aproximação com o agronegócio - que deita por terra (!!!) suas próprias e desorganizadas ideias ambientais. Mais um: a lenga-lenga do "estado mínimo" que pode deixar os setores sociais a ver navios em termos de investimentos em infraestrutura. Alguém sabe o que Marina pensa sobre a Universidade, sobre a Saúde, sobre a Política Urbana, sobre a Política Externa - além dos lugares comuns de sempre e da vulgata neoliberal que ela repete à exaustão?

Não voto na Marina de jeito nenhum...

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