terça-feira, 16 de setembro de 2014

Afinidades eletivas

Quem são esses caras?
Matéria curiosa essa que o Globo publicou a respeito da irritação de diversos usuários do iTunes com a intromissão da Apple em baixar, de graça, um álbum do U2 nos seus computadores. O gesto - que é uma jogada de marketing de uma banda em declínio e cujos fãs já ultrapassaram a casa dos 40/50 anos - teve mais repercussão pública entre os jovens do que a violação do sigilo telefônico praticada pelos serviços secretos dos EUA. 

Então é isso? O U2 ficou velho e o Bono é um cara desajeitado, bom moço, que não encanta mais, se é que encantou mesmo algum dia. Na minha aula de ontem fiz referência ao primeiro filme de Richard Gere, um trabalho de John Schelesinger, de 1979, sobre os conflitos que as tropas americanas provocaram em sua passagem pela Europa. Em Yankees, Gere, como protagonista, desestabiliza a família de uma jovem britânica por quem se apaixona: uma trama romântica, sem qualquer apelo dramático mais forte, mas que ilustra a transição das hegemonias cultural e política que a II Guerra representou. O difícil não foi explicar para meus alunos o enredo do filme e seus significados; o difícil foi explicar quem é Richard Gere. Nem as alunas o conhecem...

Bono, U2, Gere, todo mundo sendo atropelado pelo tempo e eu ainda nem consegui me desvencilhar do The Animals... Tenho a impressão de que não é o tempo que passa rápido nessa definição boba da efemeridade do contemporâneo, pura elucubração acadêmica. É uma dispersão desaglutinadora de partículas químicas que fundem e refundem padrões de gosto. Um sufoco... E o pessoal ainda me vem com as rainbow parties...
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