quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Malafaia: "Covardes, hipócritas... vão acertar a cabeça deles mesmos"

Silas Malafaia em seu melhor momento: rispidez, intolerância e despreparo
(foto de O Globo)
É possível que as luzes fiquem apagadas durante um bom tempo na vida política brasileira - uma percepção meio parafraseada da sensação que os europeus sentiram quando teve início a I Guerra Mundial. Mas não é exagero: foi o que senti quando terminei de ler a entrevista que Silas Malafaia - esse personagem paradigmático da explosão das igrejas evangélicas no Brasil - deu ao jornal O Globo. Suas opiniões são marcadas por um rancor que eu só encontro como paralelo na História o espírito vingativo das SAs alemãs.

É um mau sinal porque o ditado que ele inspira nas respostas que deu ao jornal mostram uma apropriação paralela do Estado - que continuará laico, certamente, mas inspirado nas suas ações pelo conservadorismo obscurantista que o salvacionismo de todas as igrejas pregam. Marina Silva, que é apenas uma peça nesse cenário, pode estar destinada a servir de fantoche republicano dessa turma.

Democracia é isso... Feitas as contas agora, rápidas e preliminares, a eventual derrota de Dilma (neste dia 3 de setembro o Ibope já a coloca num distante 2o. lugar logo no 1o. turno) culmina o processo de esfarelamento da representação social que seu governo tinha quando ela se elegeu: o espírito da governabilidade a qualquer custo, os afagos sistemáticos aos interesses dos empresários e dos banqueiros em troca da renúncia a projetos de forte envergadura estrutural (a distribuição da renda, a Saúde, a Educação), as práticas anti-éticas do poder e a sempre presente arrogância dos gestores do Estado, todos esses elementos formam esse caldo de rejeição que agora engrossa o voto contra ela. Some-se a isso a capitulação da social-democracia de FHC e de Aécio - que já prometeram votar em Marina Silva num eventual 2o. turno. 

Torço para estar enganado, mas acho que vamos viver tempos difíceis na política brasileira.

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Um comentário:

Magali do Nascimento Cunha disse...

A entrevista de O Globo revela bem quem é este líder religioso. Ele ganha jogando forte com um discurso enganoso e as mídias caem na armadilha: nas contas do IBGE 25-27% de evangélicos mais 20% de católicos praticantes apoiam as posições conservadoras defendidas por ele, e por tabela, por Marina, a quem ele registra apoio num eventual segundo turno. O engano é tratar os evangélicos como um grupo monolítico: não são conservadores na totalidade, bem como não votam com Marina na totalidade. Retórica enganosa que as mídias repetem sem correção...