segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Cinismo, deboche e hipocrisia

Russomano, Tiririca, Feliciano... Pensando bem, o partido vencedor das eleições foi o PCDH (partido do cinismo, do deboche e da hipocrisia), embora ainda não formalizado como bancada. Mas esse pessoal é rápido no gatilho. Salve-se quem puder...
Marina Silva deve estar se perguntando onde foi parar a onda que a levou a imaginar-se Presidente da República até há alguns poucos dias. Curioso deslocamento o do eleitorado brasileiro, pois também Aécio deve ter lá suas dúvidas sobre o milagre que o trouxe ao 2o. turno. E se Dilma não cuidar da coerência de sua candidatura - antes de mais nada ficando bem longe dos interesses privados e empresariais que dominam o oba-oba do seu projeto econômico - também ela corre o risco de sofrer uma surpresa.

Na minha opinião, esse é o resultado das eleições mais despolitizadas que o Brasil viveu desde a restauração democrática. Tirando o "debate" sobre questões de gênero e o arranhão que a discussão sobre a autonomia do Banco Central sofreu bem no início da campanha, os 142 milhões de eleitores - exceção feita àqueles que FHC, num arroubo de pedantismo, identifica como "bem informados" - mal sabem o que escolheram, ainda que tenham tido sensibilidade para afastar a tentação do messianismo de Marina. Torço para que esse cenário mude em qualidade no 2o. turno. 

Votei na Luciana Genro;  voto agora na Dilma.
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2 comentários:

Arthur Gandini disse...

Pelo menos no que vejo no discurso dos conhecidos e das pessoas que colocam tudo o que vem a sua cabeça no Facebook, os menos informados é que votaram na Marina e os não tão menos informados no Aécio.

Os mais informados votaram na Luciana Genro. Mas acho que a sociedade brasileira não vai chegar tão cedo a um nível muito elevado de consciência para eleger alguém como ela e a Dilma vai acabar ganhando de novo.

Dou esse "chute" acreditando que os últimos 12 anos de governo fizeram com que a maior parte da população tenha ganho pelo menos algum tipo de consciência social... Fica de fora de tudo isso aquela parte do eleitorado que não tem o mínimo de sensibilidade ou capacidade de compreensão dos problemas que atingem a maior parte da população.

Lukas Kenji disse...

Professor, primeiramente, gostaria de dizer que tive o prazer de assistir a suas aulas na Universidade Metodista (mas, certamente, o senhor não lembra de mim dado os inúmeros alunos que lecionou.

Creio que as eleições presidenciais de 2010 ainda ganham o troféu de despolitização. Basta lembrar que uma bolinha de papel foi protagonista de diversas manchetes.

No entanto, o pleito atual simboliza uma guinada conservadora das massas e, ao mesmo tempo, uma cultura socialista ascendendo sobre os jovens - Luciana e Jorge tiveram bom desempenho entre os jovens.

Mas o discurso deles não inseriu-se na maior parcela da população. E digo em âmbito nacional. Collor, Bolsonaros, Garotinhos, Jofran Frejat (substituto de José Arruda, Feliciano e tantos outros ainda conseguem se eleger ou conquistam votos consideráveis.

Digo ainda que, apesar de partilhar de inúmeras divergências ideológicas com Marina, sua ida ao segundo turno seria mais saudável para um debate sobre o futuro do País em comparação com Aécio, que agrega pouco (para ser bonzinho) a qualquer discussão.

Grande abraço, professor.