quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Deslocamentos à direita...

As eleições de 2014 materializam um "ensaio sobre a cegueira"? 
Nos anos 20 e 30, italianos, espanhóis, portugueses, alemães, brasileiros, não imaginavam que isso estivesse acontecendo...
Fico exercitando aqui no blog especulações pessoais em torno de problemas que considero importantes, em especial para os cursos que ministro na Metodista e na PUC-SP. As postagens de minha autoria e o material de imprensa e artigos acadêmicos disponíveis nas várias seções da página têm mesmo o objetivo de alimentar minha própria reflexão e as reflexões que faço com meus alunos. É um exercício maravilhoso...

Alguns temas, no entanto, têm uma dimensão mais nervosa e me empolgam pela sensibilidade cultural, estética ou política que inspiram, embora eu saiba que é uma ilusão imaginar que todos os que acessam o jsfaro.net tenham essa mesma percepção. Seja como for, acredito que o resultado final é o crescimento da massa crítica de informações. E é por aí que um blog com o propósito deste aqui deve caminhar, segundo entendo.

Por que essa falação toda? Porque agora, com os resultados das eleições conhecidos, emerge dos números uma sociedade que revela bolsões de um conservadorismo tal que esvazia a democracia de seu impulso emancipador (ou pelo menos colocam-no em risco), alguma coisa que no espectro político está situada entre o populismo de direita, o desprestígio da política como práxis e um fascismo meia-boca e vulgar, mas que tem força popular suficiente para radicalizar o preconceito de gênero, o de raça e o enaltecimento da força e da violência como essência do Estado - a tortura e a ditadura.

As causas disso, claro, são muitas, mas uma delas me parece fundamental: a incompletude do processo de transição democrática iniciado em meados dos anos 80. Nossas elites políticas, incluídas aqui frações de esquerda que embarcaram nisso, toparam o sentido conciliatório das mudanças, e o resultado é o que se vê agora: um deslocamento do eleitorado à direita encantado com o que diz o discurso de negação das práticas progressistas. Esses elementos formam uma tipologia complexa que vai de Tiririca a Bolsonaro, passando por Russomano, "pastor" Feliciano e o escambau.

______________________________

Nenhum comentário: