sábado, 11 de outubro de 2014

Promessas predatórias de Aécio, parte II: Samuel Pessôa

Samuel Pessôa: malabarismo retórico para transformar o que é público em privado leva a conclusões apavorantes: o trânsito é privado,  a saúde é privada, o ensino é privado, tudo é privado, portanto tudo isso sai do âmbito do Estado e entra na racionalidade do interesse particular: tudo deve ser pago. Como política econômica, essa falsa proposição, que por seu simplismo seduz as mentes pequenas e simplórias, só leva a uma conclusão: o Brasil não é um país, é uma empresa; e é assim que deve ser gerido. 
A equipe de Aécio é um saco de gatos, mas já dá para perceber uma certa linha de coerência filosófica que amarra os nomes que a imprensa tem destacado - a desmontagem do Estado do Bem-Estar Social e a finalização e os retoques finais do modelo privatista iniciado na era FHC e que será resgatado num eventual governo do PSDB. Um desses assessores é Samuel Pessôa, da FGV do Rio. Há alguns meses, Pessôa ganhou destaque pela entrevista que concedeu ao Estadão na qual desancava o que ele chama de "ensaio desenvolvimentista", qualificado como "uma tragédia para o país e que tem de ser revertido". 

Pessôa reaparece agora, no meio da agitação da campanha do 2o. turno, fazendo coro com Armínio Fraga, em ruidosa matéria publicada pela Veja - A equipe de Aécio é um alento para os liberais - na qual os argumentos para a retomada do desmonte do Estado se caracterizam pela impropriedade da análise macro-histórica. O entrevistado não entende do que fala. Na verdade, o Estado Nacional-Desenvolvimentista demonizado pela equipe de Aécio e pelos que o apoiam tem sido desde os anos 30, e nesta etapa atual da história de forma bastante intensa, responsável pela correção e superação parcial de dois dos principais gargalos do atraso econômico brasileiro e suas consequências: o primeiro, a transposição da barreira que nos separa da condição de enclave colonial agro-exportador; o segundo, a redução das desigualdades sociais (continue a leitura)
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