terça-feira, 14 de outubro de 2014

Promessas predatórias de Aécio, parte III: a destruição da Universidade


Maria Helena Guimarães de Castro, uma espécie de funcionária de carreira do PSDB na área da Educação: assessora de Paulo Renato Souza no MEC,  presidente do INEP, secretária da Educação de Serra e uma das responsáveis pelo "programa" de Aécio no setor, provavelmente Ministra, caso o ex-governador de Minas se eleja
(façam figa para que isso não aconteça)

Acabo de receber através do site EuroScience uma cópia em português do manifesto Eles escolheram a ignorância. Trata-se de documento histórico: um grupo numeroso de pesquisadores e professores universitários de diversos países fazem uma dura advertência sobre graves consequências para a universidade europeia da implementação de políticas de austeridade econômica e financeira que sufocam a pesquisa e o ensino. Em determinado trecho do manifesto, os signatários afirmam que os gestores da CEE ignoram que a pesquisa não acompanha a lógica da política e que a ciência "é uma corrida de longa distância: (...) seus frutos podem levar gerações para amadurecer". Em seguida, advertem os que acham que a privatização resolve: "eles escolheram ignorar que num 'estado de inovação' como os Estados Unidos mais da metade do crescimento econômico tem por base a inovação (...) em pesquisas financiadas pelo governo federal". 

Bonito isso. Uma parte da comunidade científica se insurge contra a mentalidade gerencial que se transformou num bloco de poder neoliberal em quase todas as esferas sociais, neste caso numa das que mais respondem pelo futuro e pelo presente: a Universidade. Parece uma coisa que nada tem a ver com o Brasil, mas é uma ilusão. Como não ouvi até agora uma única promessa que seja de Aécio Neves sobre o que ele pretende fazer, caso eleito (façam figa), com o ensino superior brasileiro, fui atrás de informações a respeito. 

Minha primeira dificuldade foi encontrar alguma pista sobre o tema; a segunda, depois de localizada uma "agenda" do candidato sobre a Educação, tentar extrair algo substancioso que me desse uma pista sequer sobre um projeto estratégico para a Universidade. Infelizmente não havia nada parecido no texto que é, na verdade, um amontoado de lugares comuns e truísmos eleitorais. A terceira dificuldade foi a de voltar ao texto para uma outra reflexão a respeito dele. A página saiu do ar sem deixar pistas e, até o momento em que escrevo este post, não há sinais de que algum dia tenha existido.

O país inteiro está diante de uma lacuna política de tirar o sono: não há nada de concreto sobre a economia (disse o Armínio Fraga que não sabe o que vai acontecer, exceto que "sobrará muito pouco"), nada de substancial na área da saúde, menos ainda na área agrícola, quase nada na área das políticas públicas urbana e social. É possível que eu esteja errado, mas a impressão que tenho é a de que temos pela frente um balão que brilha mais pelas peripécias de seus movimentos do que pela essência do que de fato é.

No caso da Educação, em especial sobre o papel nuclear (leia aqui a entrevista de Renato Janini Ribeiro dada ao IHU sobre o tema) que tem para o Brasil o desenvolvimento do ensino e da pesquisa, a conclusão é a de que o setor será entregue novamente ao mesmo núcleo que ditou as regras da desmontagem e da pauperização da universidade pública no governo FHC. Foi então a época em que a permissividade de que os interesses privados dispuseram para se agigantar no ensino superior teve início sob uma lógica muito parecida com a que presidiu todo o processo de enxugamento do Estado e de abdicação de sua soberania em vários setores. 

Se Dilma perde, acho que vamos ter esse pessoal dando as cartas outra vez. O MEC transformado em espaço de lobistas, as planilhas de quantificação do adestramento dos estudantes transformadas em instrumento de método governamental (Maria Helena Guimarães de Castro, por exemplo, foi uma das principais responsáveis pelo famigerado provão), o definhamento da infraestrutura das instituições, a inevitável paralisação de projetos de expansão da investigação científica. É a correspondência, na Educação, daquilo que podemos assistir no campo da economia e da sociedade... caso Aécio seja eleito (continuem fazendo figa).

* Aproveite para ler Jânio de Freitas sobre o momento eleitoral: Uma eleição de muitos (Folha). No embalo, saiba mais sobre as raízes do conservadorismo paulista: Separatismo de São Paulo incorpora antipetismo (Carta Capital)
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