domingo, 19 de outubro de 2014

"Tanto faz quem ganhe a eleição". Será?

O pior que pode acontecer é a indefinição das marcas simbólicas e ideológicas de Dilma e Aécio.
O amadurecimento democrático só tem a ganhar se o vencedor das eleições puser em prática o projeto político e social das forças que representa
O título da postagem é um primor do pensamento despolitizado, mas não é difícil encontrar por aí gente que acredita mesmo nisso, apesar do nível de polarização que a campanha ganhou. Será que há mesmo uma distinção fundamental e profunda nesse cenário e que as escolhas refletem antagonismos insuperáveis ou estamos diante de uma dramatização teatral retórica e corporal que oculta os limites ideológicos que estruturam as duas candidaturas?

Vou logo adiantando: não acredito nisso. Minha interpretação é a de que o processo eleitoral, desde a morte de Eduardo Campos, pôs em evidência alguma coisa que o lulismo, com seu imaginário conciliador e interclassista, não nos deixava ver: a existência de projetos diferentes para o Brasil; duas concepções de organização social e de gestão econômica que não se bicam, sem falar aqui nas dimensões culturais e políticas dessas concepções.  Essa emergência violenta do preconceito generalizado que os grupos conservadores vão manifestando em relação ao PT e a várias das causas e da representação simbólica que o identificam historicamente me parece ser a prova de que estamos diante de disposições antagônicas e eu torço para que aquela que podemos classificar genericamente como "de direita" saia das urnas derrotada.

A eventual vitória de Dilma, no entanto, vai exigir que isso fique mais claro, isto é, o resultado favorável das urnas à sua candidatura não pode criar a ilusão de um congraçamento nacional, como se as diferenças desaparecessem pelo encanto democrático, uma espécie de peemedebitação unicolorida do país.  Na minha opinião, tem sido exatamente o descuido das práticas políticas reformistas em deixar isso claro que fragiliza a sua identificação e a aparente correção do senso comum que o "tanto faz quem ganhe a eleição" representa (continue a leitura).
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