terça-feira, 4 de novembro de 2014

O ovo da serpente

"Não vejo por que teria que ir desarmado ao protesto"
Eduardo Bolsonaro, durante manifestação pró-impeachment de Dilma
(leia aqui a matéria do El País)
O título da postagem é quase um lugar comum quando alguém quer se referir ao ambiente de gestação do nazi-fascismo, mas é uma metáfora tão consequente com aquilo que procura significar que é impossível não recorrer a ela. A ideia diz respeito ao processo de incubação do mal, que oculta um monstro em desenvolvimento e cuja visualização só é possível quando o ovo é exposto à luz. Um interessante artigo sobre o tema foi publicado no Observatório da Imprensa por Paulo Bento Bandarra com objetivos diferentes dos meus, mas vale a pena verificar a abrangência do assunto. Aliás, a popularização da narrativa mítica acompanhou o filme de Ingmar Bergman, de 1977, que ganhou uma boa análise da Revista de História em número de 2012.

Qual o motivo dessa conversa toda? Bem, a reflexão está sendo feita aqui por conta de algumas matérias publicadas nos jornais que envolvem a manifestação realizada na Avenida Paulista ontem em favor do impeachment de Dilma Rousseff e da volta dos militares ao poder. O movimento pelo impedimento da presidente da República já era esperado pois vem sendo organizado por grupos ultra-conservadores paulistas que, mesmo antes dos resultados da eleição, se recusavam (e continuam se recusando) a aceitar a decisão das urnas. Ainda que se possa discordar do pretexto, me parece legítimo que os que defendem o impeachment ocupem os espaços que conquistam com seu discurso e é a dinâmica política que vai dar uma resposta sobre o seu desdobramento, da mesma forma como aconteceu com Collor. Democracia é isso (continue a leitura).
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