segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Pistorius...

Mephisto, na versão de István Szabó para o cinema (1981):  metáfora genial da obsessão pelo poder, do Estado ao cotidiano. O que foi ficção mitológica e tragédia para Goethe, filosofia para Nietzsche, destruição para Hitler, para Pistorius foi salvo-conduto para colocar-se acima de sua própria e difícil humanidade
A reflexão acontece com muita frequência nas aulas de História Contemporânea, em particular quando o tema me aproxima da explicação sobre o nazismo no âmbito da cultura germânica. Recomendo aos alunos um breve olhar em perspectiva sobre o teatro, as ciências, a filosofia, a arte produzidos na Alemanha no século que se estende entre 1830 e 1930 sob a seguinte indagação: como foi possível que a mesma formação socio-cultural tenha gerado a monstruosidade hitlerista? A resposta é quase sempre a mesma: foi possível porque, como no Fausto, a construção mítica do homem além do humano - o übermensch de Nietzsche - coloca-se acima de quaisquer considerações de natureza ética, moral ou mesmo física que possam resultar em obstáculo para o reino do absoluto e da totalidade (continue a leitura).
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