sábado, 22 de novembro de 2014

Sem virtude, sem fortuna...

Maquiavel quis dizer que competência, arrojo, ousadia, determinação, vontade e descortínio estratégico são atributos  de quem pretende a hegemonia do processo político. Nossa burguesia industrial não tem nenhuma dessas qualidades o que a torna parasitária e conspiratória, chorona e cansativa...
Tem uma coisa que a operação Lava Jato está deixando de positivo no cenário político brasileiro: a exibição do mau caráter do empresariado. Não é só o fato de que as grandes empreiteiras estejam sendo pegas no maior flagrante de corrupção da história; é também o silêncio constrangedor das suas entidades representativas, de sua base ideológico-parlamentar, uma espécie de cumplicidade espiritual que toda a burguesia mantém com o assalto ao Estado, como se já não bastassem as pequenas e grandes pungas dos estímulos financeiros do BNDES, das desonerações (essa sonegação legalizada que só prejudicou a sociedade), as irregularidades trabalhistas etc. E pensar que essa gente pode inviabilizar o país...

Tenho comigo uma tese que certamente não é muito original, mas que vale a pena ser dita: nosso empresariado se especializou no anti-capitalismo. Não é uma coisa doutrinária, uma adesão às teses de Marx ou de Lênin; é uma postura de zanga, de entristecimento envergonhado pelo que ele é, de antipatia por si mesmo, uma má-vontade freudiana com seu próprio negócio (continue a leitura).
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