sábado, 10 de janeiro de 2015

A tagarelice do ministro

Cid Gomes parece que gosta desse cenário midiático, mas até agora mostrou apenas uma formidável disposição para falar obviedades, lugares comuns que mais escondem do que mostram seu parco conhecimento sobre as demandas estratégicas da Educação brasileira.
Até agora o ministro da Educação vai despontando como o mais disponível e falante de toda a equipe do novo governo Dilma. Mesmo antes da posse, o ex-governador Cid Gomes já posava de "estrategista" da pasta ao reavivar o desrespeito aos professores do seu estado que, em greve, pedem melhores salários: o então futuro ministro não teve dúvidas em sair-se com a célebre recomendação de que os mestres que não se dispõem ao "sacerdócio" devem procurar outra profissão. Num governo de ministros de respeito, Cid Gomes teria sido preventivamente demitido... por justa causa.

O novo ministro, na verdade, esconde sua falta de projeto e de entendimento do que acontece na Educação brasileira com um rosário de afirmações óbvias, puros truísmos. Já empossado, pinçou de um mau momento da presidente na época da campanha eleitoral e prometeu a reforma do ensino médio em 2 anos. Logo em seguida, ainda ontem, disse ser a favor do Enem eletrônico; e na mesma falação acrescentou que é necessário economizar recursos da sua pasta, justificando o tremendo corte no orçamento que uma das áreas mais importantes do governo sofreu. Alguém discorda do ministro? 

Eu gostaria muito de saber por que Cid Gomes acha que a reforma do ensino médio é prioridade, por que o simulacro de avaliação do Enem precisa ser mantido, por que o país deve reduzir a expansão da rede pública de ensino e privilegiar o custeio de interesses privados com recusos subtraídos do orçamento da União. Se não fosse muito, também gostaria de saber o que o ministro pensa da crise profunda pela qual passa a nossa Universidade; quais os mecanismos que pretende utilizar para disciplinar as instituições particulares; qual a diretriz que pretende oferecer ao MEC para o Sistema Nacional de Pós-Graduação. Esses sim, são temas sobre os quais o ex-governador do Ceará deveria se manifestar mais consequentemente e menos espetacularmente. Ou será esse o perfil do moço? Estamos bem arranjados...
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