quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Austeridade para os bancos

Golconda (1953), do belga René Magritte, refere-se a uma cidade da Índia tomada como sinônimo de riqueza. O pintor traduz no seu devaneio a padronização do indivíduo como simbologia que paira sobre a sociedade.
Acabo de ler a notícia no Valor Econômico: o Bradesco lucrou no ano passado 25,6% mais que em 2013, um desempenho muitas vezes maior que a inflação do período - que não deve ter ultrapassado a casa dos 7%. Sob todos os ângulos que possa ser lida, a informação comprova o descontrole em que vive a economia brasileira, já que os lucros dos bancos são basicamente resultado de uma atividade parasitária do capital financeiro e de um processo estrutural de transferência de renda da sociedade para mãos privadas. 

Além disso, parte desse desempenho (que é inusitado no cenário internacional e que coloca o Brasil na condição de paraíso dos rentistas), se deve ao financiamento do déficit público provocado pela política de desonerações fiscais e pelo aumento das taxas de juros.

As mesmas práticas que agora são reiteradas neste novo mandato de Dilma Rousseff. 

Em tempo: vale a pena, por mera curiosidade, acompanhar as postagens que os leitores do jornal Valor fazem comentando a notícia dos lucros selvagens do Bradesco. Tem de tudo ali, desde o calvinista que associa os lucros do banco a uma epifania milagrosa até o ressentido anti-petista que atribui ao PT o sucesso financeiro da instituição. Invariavelmente são bobagens de pouca densidade analítica mas que registram um estado de catatonismo muito peculiar em situações de confusão cognitiva. Ninguém sabe mesmo para onde estamos indo...

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