domingo, 4 de janeiro de 2015

Ministério Dilma: austeridade econômica sinuosa

Fico imaginando o que teria levado o quase ex-futuro ministro do Planejamento do novo governo Dilma a antecipar, não sem uma certa dose de arrogância e apelo midiático, a mudança nas regras do reajuste do salário-mínimo - uma das boas coisas que o país tem na sua política econômica. Nelson Barbosa dever ter pensado que a simpatia do empresariado por sua indicação é a verdadeira fonte de seu poder, motivo pelo qual sentiu-se à vontade para atropelar o governo. A coisa só não deu certo porque a presidente não quis que, logo no primeiro dia útil de seu novo mandato, alguém pusesse mais combustível na onda geral de indignação e decepção que os nomes de seu ministério causam na sociedade.

O fato, portanto, é revelador do descolamento que as medidas de austeridade têm em relação ao projeto político de um governo supostamente de centro-esquerda, já que esse modelo econômico que vai ser implementado pelos representantes do capital só pode ser posto em prática na surdina, passo a passo, através de consensos milimétricos, cortando recursos aqui e ali, concentrando mais a renda em troca do apoio dos empresários. O quase ex-futuro ministro do Planejamento violou essa regra com o estardalhaço da sua indiscrição.

O puxão de orelha de Dilma me parece um sinalizador para essa colcha retalhos em que o executivo se transformou, mas não significa uma mudança precoce de rumo nas medidas recessivas e anti-sociais que nos esperam.

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