quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Parece mentira...

Intimidade e prazer: no encontro frustrado com o ministro Levy, Antonio Palocci, um dos ideólogos das práticas neoliberais do governo, é afagado pelo empresário José Antonio Martins, da Marco Polo, na foto de Mastrangelo Reino (Folhapress) 
Estou assustado com a simplicidade com que a presidente Dilma põe em prática a sua "nova política econômica", uma espécie de salvo conduto para o capital financeiro, para a concentração da renda, para o desemprego e para o agravamento dos desequilíbrios estruturais da economia brasileira. Quando surgiram as primeiras notícias de que o governo federal adotaria o "rigor fiscal" para equilibrar as contas públicas - segundo seus defensores, razão fundamental para a recuperação dos investimentos - todo mundo que defende projetos sociais emancipadores ficou com o pé atrás. Afinal, diríamos, é um pequeno ajuste que visa isolar a oposição e recolocar o país na rota do crescimento econômico.

Essa esperança era pura ilusão - como geralmente acontece com as esperanças. Olhando de perto para o que está sendo posto em prática, não se trata de ajuste coisa nenhuma. O que está sendo posto em prática de forma deliberada é um modelo que resgata o que há de pior na história da economia brasileira: uma obsessão pela manutenção das disparidades sociais e uma defesa quase que intransigente do parasitismo do empresariado (ainda que não declarada). No final das contas, o equilíbrio das contas públicas e as consequências monetárias disso só irão beneficiar os lucros dos bancos, os exportadores, os latifundiários e a burguesia rentista que nem precisou votar no Aécio...

É fácil entender: o aumento da arrecadação previsto com a elevação de impostos desta semana, somado ao veto da correção da tabela do imposto de renda, são medidas de natureza recessiva cuja consequência mais importante é a retração do mercado consumidor. Com isso, é o desemprego que cresce, como já antecipou a OIT em relação aos próximos 3 anos, enquanto se mantém inalterada a orgia das desonerações (R$ 100 bilhões em 2014), os subsídios dos empresários com recursos públicos e os cortes nos projetos sociais... Parece mentira...

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